França, Séc XVII

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França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sex 9 Out 2015 - 15:12



Dizem que o mau tempo repentino é sinal de mau presságio.
Mas a chuva que destrói e varre planícies não é a mesma que dispersa sementes e faz florescer?



Vilnius, Lithuania Séc XVII

As nuvens carregadas cobriam lentamente a cidadela com seu manto cinza trazendo um falso anoitecer. Os comerciantes recolhiam suas quinquilharias com urgência temendo que o temporal lhes causasse prejuízos enquanto a multidão se dissipava de volta para seus lares. Fechei a fresta da cortina por onde os observava e voltei para a cama da modesta hospedaria na qual me instalara, ainda era cedo para sair de meus aposentos. Afrouxei o espartilho que me sufocava antes de me arrastar para o meio dos lençóis.

O vento de chuva zunia na janela empurrando os galhos secos de uma velha árvore contra o vidro embaçado. Um arrepiou percorreu minha nuca e afundei meu rosto no travesseiro, mais um vez estava envolvida em alguma missão suicida de Ivanov e a ideia de vê-lo depois de tanto tempo fazia meu estômago congelar. 


†††


Midi-Pyrénées, sudoeste da França, alguns meses depois

A noite já chegava ao fim quando coloquei meus pés naquele pequeno vilarejo. As ruas estavam desertas e apenas o farfalhar de minhas vestes eram ouvidas no silencio fúnebre das casas adormecidas. Não trouxera bagagem alguma comigo, apenas um antigo punhal oculto sob a manga esvoaçante de meu vestido, o nascer do sol me preocupava, então apertei os passos em direção a subida íngreme ao topo da montanha na qual a silhueta de um grande castelo se desenhava na penumbra. Ao vê-lo, exitei e um arrepiou percorreu minha espinha, sabia que Ivanov já estava a minha espera, pois a sensação de ser observada era cada vez mais forte a medida que me aproximava do castelo de Montségur.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sex 9 Out 2015 - 16:47

A noite chegara como um piscar de olhos, pelo menos aos olhos de um imortal, a muito tempo não sabia o que era me preocupar com isso a muito tempo, desde que perderá completamente tudo, até mesmo minha alma, porém apenas uma única motivação me  fazia seguir em frente, “vingança”.

Com este pensamento estava sendo cauteloso, queria fazer o culpado sofrer, pagar tudo que causou não apenas a mim mais a muitas outras pessoas, por isso a paciência era uma virtude que precisei de tempo para desenvolver, aos poucos estava levantando informações sobre a quem direcionava toda minha raiva, mas não poderia fazer isso sozinho é existia apenas uma pessoa que confiava o bastante para me ajudar.

Não demorou para que sentisse sua presença se aproximar, sai do castelo é a esperei imóvel, olhando aquela paisagem que se estendia para além dela, daquele pequeno vilarejo que parecia e havia sofrido tanto quanto eu, ao ficar poucos metros sorri para ela.

― Que bom que você chegou, estava começando a achar que iria ter que ir busca-la.

O tom de minha voz era descontraída, porém sabia que Lucinda tinha seus próprios objetivos e desejos, apenas tinha duvidas se ela estava realmente pronta para descobrir tudo que um dia precisou esquecer.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sex 9 Out 2015 - 17:43

A entrada do castelo se desenhou a minha frente quando os primeiros raios de sol despontavam no horizonte, parado junto a ela a figura nas sombras ia tornando-se cada vez mais nítida a medida que me aproximava, caminhei naturalmente com as mãos despostas frente ao corpo apoiadas sobre a volumosa saia do vestido, mas por dentro estava preocupada. A presença de meu mestre sempre deixava-me inquieta, não sabia exatamente o que esperar dele levando em consideração que não o via a pouco mais de um século... Quais seriam seus planos desta vez?

- Que bom que chegou - sua voz ecoou no silêncio, estava perto o suficiente para vislumbrar seu sorriso - Estava começando a achar que iria ter que ir buscá-la.


- Estou aqui, não estou? - respondi cortês ao acariciar o cabo do punhal sob as vestes com a ponta dos dedos - Creio que sua busca seria em vão. - parei a poucos metros dele observando cada detalhe de seu físico, ele realmente não mudara nada, nem mesmo o corte de cabelo.

Curvei-me numa breve reverência como uma dama da alta classe sem tirar meus olhos dele - Já faz algumas décadas, Uriel - meus cabelos estavam presos num penteado simples que permitiam que os fios caíssem sobre os ombros contrastando com o veludo azul marinho do vestido. - O sol já vai nascer, não me convidará a entrar?
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sex 9 Out 2015 - 18:25

Ás palavras de Lucinda como sempre era de uma contenção tão direta que chegava a me divertir com a forma que ela se portava, curta é grossa disse está ali, sua roupa pesada escondia mais do que apenas sua pele, o sol logo iria nascer, disse ela que minha busca seria em vão, tanto tempo juntos e ela ainda não entendia que não tinha lugar que ela estivesse que não a encontraria.

― Minha querida... Saiba que minha busca seria tão curta que sequer representaria um desafio para mim.

Talvez como um deboche ou desafio  a vi se curva sutilmente em uma reverencia, como ela mesmo lembrara faziam algumas décadas que não se cruzavam de forma tão direta, mas em nenhum momento ela esteve longe o suficiente ou distante ao ponto de estar fora de seu alcance, mas não  iria dizer isso a ela.

O perfume dela ainda era o mesmo, informou que o sol estava para nascer e se não a convidaria a entrar, sorri novamente para ela.

― Você é de casa Lucinda, não precisa de convite, mas me acompanhe, pedi para que arrumassem o seu quarto, e preparassem seu banho, as paredes são grossa o suficiente para não se preocupar, mas não preciso dizer isso não é mesmo?

Disse enquanto me colocava a caminhar para a entrada do castelo, dando a deixa para que ela me acompanhasse.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sex 9 Out 2015 - 18:42

Minha querida... Saiba que minha busca seria tão curta que sequer representaria um desafio para mim. 


- Ora Uriel, não seja presunçoso - arrumei uma mecha de cabelo atrás da orelha - Disse que aqui estou, não lhe disse? Pois bem, não precisa me procurar. - sorri com ingenuidade aceitando seu convite para entrar seguindo-o porta a dentro quando o mesmo deu-me as costas.

Por dentro o castelo era frio e agradavelmente escuro, de fato um banho seria ótimo depois da longa viagem que tive, com sorte poderia encontrar algum vestido novo perdido pelos majestosos quartos do lugar. Uriel caminhava a frente descontraído enquanto eu o seguia em silêncio observando com curiosidade o labirinto de corredores.

- Quanto tempo pretende ficar por aqui? - perguntei ao acaso sem realmente me importar, ao julgar pela arrumação não deveria estar a muito tempo, afinal, Ivanov nunca ficava tempo demais num único lugar, ele era como uma ave migratória a procura de um ninho.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sex 9 Out 2015 - 18:59

Enquanto caminhávamos em silencio, apenas o ar frio parecia circular entre a gente, aquele clima sempre me fazia pensar o quão confusa Lucinda se sentia as vezes, esconder parte de seu passado não foi uma escolha fácil, muito menos simples mais queria que ela não se sentisse perdida ou fazia, seria melhor se ela começasse do zero, nem todos podiam ter esta chance.

Algumas poucas luzes estavam acessas, ainda não tinha me instalado corretamente, mas aos poucos iria me estabelecer, alguns criados ajudariam para facilitar esta transição, a voz de Lucinda atraiu minha atenção enquanto caminhávamos até o salão principal, perguntando quanto tempo pretendia ficar ali.

― Bem minha cara, o tempo para seres como nós é irrelevante, mais adquiri esta propriedade há alguns anos, ficaremos pouco tempo, pois vamos fazer uma viagem em breve, para que possamos saber mais sobre um dos originais, já ouviu falar deles não é mesmo?

Assim que terminei de falar uma das criadas apareceu das escadas, ela trajava um uniforme azul é branco com uma toca branca cobrindo os cabelos, se aproximou de mim e avisou que o quarto é o banho estavam prontos, Sorri rapidamente a dispensando.

― Seu banho está pronto, que se lavar, descansar ou gostaria de jantar?

A pergunta foi uma brincadeira provocativa, para fazer com que ela se soltasse mais, sabia que ela não gostava dessa vida, eu também não mais aprendi com o tempo a tolerar e fingir bem.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sex 9 Out 2015 - 20:32

Ivanov respondera tão casualmente quanto lhe perguntara e ouvi seu breve resumo enquanto endireitava um quadro velho na parede - Os Volkers? - falei sem cerimônias - Sim, presumo que já ouvira. - pretendia lançar-lhe mais algumas perguntas quando fomos surpreendidos por uma das criadas que ele arrumara temporariamente, a ideia de encontrar um original me causava uma série de calafrios, eles eram a primeira linhagem de nossa espécie e quando estes se revelavam não eram um bom presságio. Embora convivesse com Uriel pelos últimos quatrocentos anos não sabia dizer qual era a sua verdadeira idade, mas sabia que eu era nova demais para encontrar com um dos três grandes.

- Bem - me interpus entre ele e a criada alisando a saia do vestido - Já que insiste, tomarei um demorado banho... - passei por eles e subi alguns degraus da escadaria parando para olhá-lo sobre o ombro - Me acompanha? - gostava de provocá-lo quando tinha a oportunidade mesmo sabendo que ele nunca aceitava meus convites, porém, não custava tentar. Dei um ligeiro riso e tornei a subir saltitante.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sex 9 Out 2015 - 21:51

Como esperando Lucinda já ouvira falar dos originais, conhecidos também como Volker, mas isso era natural sua fama percorria todos os cantos, isso impedia que vampiros tanto os mais novos quanto os mais antigos de acharem que poderiam fazer o que quiser.

Eu mesmo já vi uma execução ordenada pelos Volker, dentre eles conhecia apenas um de vista, e era esta a razão que nos levaria a próxima aventura, pois minha meta era conhecer mais um dos três originais, mas Lucinda não precisava saber disso agora.

Assim que ficamos a sós, Lucinda aceitou o convite para tomar um banho e descansar, começou a subir as escadas elegantemente, como se fosse uma pluma com sua leveza, parando alguns degraus olhou-me de forma provocativa, é perguntou se a acompanharia.

— AHHH, seria uma honra, mas acredito que esteja cansada tome seu banho e vá o para o quarto no final do corredor, do lado esquerdo, tem um banheiro no mesmo, a banheira está cheia com agua morna, e extratos de rosas, no guarda roupa tem várias roupas suas, pedi que trouxessem.

Ergui uma sobrancelha para ela com ar de superioridade, provando que já sabia aonde estava, apenas permaneci nas sombras.

— Tenho que resolver algumas coisas, mas logo falaremos mais, trarei seu “jantar”... Alguma preferência? — Provoquei.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sab 10 Out 2015 - 0:57

Como sempre recusara meu convite com típica ironia e pausei a subida, girei nos calcanhares ao topo da escada exibindo um sorriso sereno ao responder a pergunta que me fizera - Desde que seja fresco e não cheire a destilados, creio que servirá por hora.

Suspendi ligeiramente a longa saia do vestido para que me acompanhasse no giro rumo ao corredor, arqueei uma das sobrancelhas encarando sua cara de deboche ao dizer que mandara buscar meus pertences, era um costume nada agradável de evidenciar minha submissão assim como o fato de que não perdera o costume de me seguir, eu odiava quando Uriel ressaltava sua dominância sobre mim, ele realmente fazia meu sangue ferver. Tornei a girar nos calcanhares na direção contrária, agora com um tom petulante na voz.


- Me desejas tanto assim, querido mestre, a ponto de temer meu sumiço? - dei as costas sem esperar resposta e desapareci corredor a dentro.

Não sabia dizer se foram ordens dele, mas antes mesmo que pudesse girar a maçaneta me deparei com a criada a me seguir, estava cansada demais para ralhar com ela então deixei que me acompanhasse até meus aposentos. O sol já devia banhar a montanha com seus raios o que significava que só me restava descansar até a próxima lua. Me despi lentamente com a ajuda da criada e deixei cair peça por peça das pesadas vestes até finalmente sentir-me leve. Um cheiro de rosas frescas preenchia todo o aposento e me apressei até a espaçosa banheira submergindo na agua agradavelmente morna, Uriel realmente não mentira sobre aquilo. Soltei os cabelos para que a criada os lavasse enquanto me distraía em pensamentos sentindo a tensão de meu corpo se esvair através da água, dali só sairia quando a refeição chegasse.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sab 10 Out 2015 - 14:04

Enquanto seguia para o escritório, ouvi ela falando querer algo fresco e sem cheiro de álcool, mesmo sem ver a face dela poderia apostar que deveria esta fula, por saber que havia trazido suas coisas sem que ela soubesse, mas que mestre eu seria se não soubesse de seu paradeiro, mas a verdade era que me preocupava que ela se metesse em alguma encrenca.

Qualquer outra que ela possa ter dito ficou perdido no caminho que nos separavam, provavelmente a criada que deixei para cuidar de Lucinda, seria bem útil mesmo que ela não reconhecesse ou assumisse isso, mas a conhecida. Enquanto andava meus passos ecoavam pelos corredores longos do castelo.

Assim que adentrei ao escritório não demorou cinco minutos pata batidas soarem na porta, pedi que entrasse era uma das empregadas que havia arrumado, ao todo tínhamos pelo menos quinze pessoas no castelo, ela me informou que Lucinda estava no quarto.

— Muito bem... Se aproxime. — Falei para ela que veio rapidamente.

Olhei em seus olhos e deixei que o brilho dos meus penetrassem em suas orbes, com um comando baixo mais poderoso pedi.

— Estenda sua mão. — Como uma marionete ela atendeu o meu comando.

Com tranquilidade puxei um copo da mesinha que ficava perto a mesa, com a unha corte o pulso dela é deixei que seu sangue preenchesse o copo, o cheiro de seu sangue atingia minha garganta como uma lixa, ao mesmo tempo que o cheiro era doce e suculento, a demora fazia minha boca secar, assim que o copo se encheu peguei o pulso e o lábio, fazendo o corte se fechar.

— Pode ir... — Falei para ela enquanto saboreava minha bebida.

Antes mesmo do terceiro gole a porta rangeu é das sombras surgiu um par de olhos castanhos, olhei para ele e sorri ao ver quem era.

— Diga que tenha boas notícias. — Falei com um tom descontraído.
Aquela era a notícia que estava querendo após saber melhor sobre ela, Lucinda é eu partiríamos.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Seg 12 Out 2015 - 21:55

A água já esfriara quando fui despertada pela criada que segurava uma macia toalha nas mãos. Me levantei envolvendo meu corpo molhado no delicado tecido ao mesmo tempo que a criada secava meus cabelos. Retornei aos aposentos com o humor renovado e encontrei um belo vestido disposto sobre a cama, seu tom púrpura era encantador adornado por detalhes em fios dourados. O vesti sem objeções com a ajuda da criada, mas me recusei a usar o volume desnecessário para a saia. Frente ao grande espelho tinha que admitir que era um belo vestido e seu caimento simples assemelhava-se aos trajes medievais com suas mangas longas e folgadas que ganhavam forma através das curvas de meu corpo.

- Uriel já retornou com o que me prometera? - não havia dirigido a palavra à serviçal até então e ela pareceu surpresa embora não desgrudasse os olhos do chão.

- Sinto dizer que não, minha senhora. - ela aproximou-se com uma escova nas mãos e indicou a cadeira da penteadeira onde me sentei - Assim que o senhor Ivanov retornar virei buscá-la para o jantar, mas posso trazê-lo até seus aposentos se desejar, senhora.

- Não será necessário. - disse recolocando o punhal em seu lugar de direito - Não pretendo ficar muito tempo neste quarto... Agora termine logo e pode se retirar.

Não sabia dizer que horas eram, mas o sol parecia arder sobre as torres do castelo, arrisquei uma olhada pela fresta da janela e senti meus olhos arderem com a claridade hostil que invadiu minhas pupilas. Gostaria de explorar um pouco o lugar, mas estava realmente cansada da viagem, então tranquei a pesada porta de madeira e retirei-lhe a chave da fechadura guardando-a debaixo do travesseiro onde deitei repousando as mãos entrelaçadas sobre o ventre.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Ter 13 Out 2015 - 17:25

O homem se aproximou era um dos meus subordinados humanos que usava como informante é garoto de recado, às vezes todo cuidado era pouco, ele tinha a missão de verificar se os boatos que circulavam eram verdade, mas para isso ele precisava procurar a pessoa certa. É assim o mandei ao encontro de quem poderia ter esta resposta.

E bastava isso para dar seguimento em meu plano de conhecer os originais, afinal eles eram a elite do mundo dos vampiros, todos os temiam é respeitavam até mesmo Maquiavel era inteligente o bastante para se manter nas sombras.

― Mestre... A informação que pediu que confirmasse é verdadeira, um dos originais está nas redondezas, ele esta fazendo uma varredura na área por ter ouvido falar que Maquiavel poderia está por perto.
Um sorriso se desenhou em meus lábios, tomei mais um gole de minha bebida, o líquido escorreu pela minha garganta suavemente.

― Muito bom, pode se retirar, ao sair chame uma das empregadas, vale para que ela entre, enquanto a você fique em alerta poderei precisar de você.

Disse enquanto o homem saia porta a fora, o sol já estava alto no céu, podia sentir isso em meu corpo, a sonolência, e fraqueza já demonstrava os sinais, apesar de ter prometido uma boa refeição a Lucinda, isso teria que esperar até o anoitecer, mostraria o que esta cidade tinha a oferecer.

Finalizando a bebida segui para o meu quarto para descansar um pouco, enquanto o esperava o sol se por.

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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Qui 15 Out 2015 - 17:57

Levantei pouco antes do sol desaparecer no horizonte, já fazia tempo desde que me alimentara e a fome começara a corroer-me por dentro. Destranquei a porta do quarto e deslizei pelos corredores mal iluminados pela luz das velas bruxuleantes. A medida que a noite avançada me sentia mais desperta e a brisa noturna que preenchia o castelo instigava-me a iniciar uma caçada sedenta por sangue.

O silêncio pairava no piso superior do castelo e pensei que estivesse a sós com a criadagem até sentir a inconfundível presença de Ivanov. Caminhei ao seu encontro vagando pelo labirinto de pedra analisando cada detalhe por onde passava até deparar-me com um aposento semelhante ao que me instalara. Sem pensar empurrei levemente a porta que abriu-se num ranger sobre o velho batente e como uma criança curiosa adentrei a passos lentos me esgueirando pelas sombras.

Assim como sentira, Uriel encontrava-se em seu sono vespertino; vê-lo adormecido em sua vulnerabilidade causava-me uma sensação estranha que não saberia descrever com exatidão. Me aproximei da beira da cama e me sentei ao seu lado, mas não sabia dizer se estava realmente dormindo ou apenas fingindo. 

- Acorde, estou faminta. - remexi as abotoaduras douradas das mangas de seu casaco esperando alguma reação.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Qui 15 Out 2015 - 20:46

Após seguir para meus aposentos, me desprendi de minha vestimenta ficando apenas com uma calça de tecido preta é um camisa com abotoaduras douradas, me deitei é não demorou para meus olhos pesarem, o dia causava este efeito,  deixando o corpo pesado é cansado. Não sabia como era este momento para outros vampiros, mas para mim dormir significava duas coisas.

Uma dela era um “dia” completamente escuro sem nada, seu céu ou chão um completo vazio, outras eram repletas de lembranças, fragmentos perdidos de uma vida a muito tempo deixada para trás uma vida que me fora roubada, como um fita estragada eu sempre voltava é me repetida sempre nos mesmo momentos, e o pior pareciam sempre se arrastar.

Acordei com o sol praticamente se escondendo,  pouco a pouco os últimos raios de sol sumiram, neste mesmo momento senti o perfume, como sempre o aroma de Lucinda era único senti sua presença se aproximar, ela deveria esta inquieta além de faminta, esperei que ela viesse até mim, me mantive de olhos fechados esperando completamente imóvel.

Ouvi a porta ranger, seus passos por mais leve que fossem eu conseguia ouvi-los, senti a vibração de seu poder enquanto se sentava na beirada da cama quando seu toque se prendeu em umas das minhas abotoaduras e falou de forma direta e sem qualquer paciência, que estava faminta, de olhos ainda fechados sorri.

— Sabe que entrar no quarto de um homem desta forma, não é muito elegante, se esperava me ver como vim ao mundo, lamento desapontar mais não será desta vez, a não ser é claro  se quiser me acompanhar no banho.

Completei abrindo os olhos é a provocando.

— Caso não queira me ver sem roupa sugiro que me espere no salão ou escritório, não irei demorar, e como prometido darei a você um bom jantar, além de contar a você o porquê te chamei aqui.

Disse me levantando e tirando a camisa que joguei sobre a cama bagunçada.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Qui 15 Out 2015 - 21:24

- E não é nada elegante deixar uma dama à espera de um jantar promissor, meu caro Uriel - respondi de prontidão levantando-me e cruzando os braços abaixo dos seios.

Caminhei para o meio do quarto enquanto ouvia sua sutil advertência sem realmente me importar, as vezes ele falava demais e aquela não seria a primeira e nem última vez que ralharia comigo. 

- Ora, não tente me intimidar despindo-se na minha presença - dei um leve riso e girei os calcanhares indo até a janela do quarto e abrindo-a para que a luz da lua iluminasse o ambiente - Pois bem, não serei rude como és comigo - complementei virando-me para ele com o rosto levemente corado e torcendo para que ele não enxergasse tão bem na penumbra do quarto.

Dito isso, retirei-me de seus aposentos deixando um "Seja rápido, não tenho toda a eternidade" para trás ao sumir através da velha porta. Desci a grande escadaria lentamente, no andar de baixo os criados caminhavam de um lado para o outros ajeitando objetos e pondo a mesa com luxuosas taças de cristal fino. Dentre elas estava a serviçal que me fizera companhia durante o banho e ao me avistar veio buscar-me ao pé da escada para levar-me até o grande salão onde dispunha de um grande sofá aconchegante frente a uma lareira crepitante onde me sentei aguardando as honras de meu mestre.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Qui 15 Out 2015 - 21:53

Pude ver Lucinda se sentir inquieta, por mais divertido que fosse tudo aquilo, aquela noite prometia muitas coisas, as palavras de Lucinda apenas provocaram ainda mais ao me ver tirar a camisa,  seguindo até a janela a abriu deixando a brisa entrar, a lua começava a derramar seu brilho prateado, apesar de ter meus sentidos ampliados jamais consegui sentir as coisas da forma que um dia senti como humano, é aquela pequena brisa quase me fez voltar ao passado.

Antes que afastasse tal pensamento Lucinda falou mais algumas palavras é se retirou com aquelas palavras não ditas de advertência, nem parecia que eu era seu mestre mais sim o contrário, sorrio quando ela fechou a porta, retirando a calça segui nu para o banho, liguei a ducha deixando que a agua caísse sobre meu corpo.

Era um habito humano que ainda apreciava, sentir a pureza da agua em meu corpo, como se ela pudesse lavar todos os meus pecados é erros, mas não iria me demorar, sequei-me e me vesti colocando uma roupa mais informal, mais não ao ponto de chamar muita atenção, desci as escadas até o salão encontrando Lucinda sentada em um sofá perto da lareira em sua mão parecia segurar um livro.

— Espero não ter demorado demais, se estivesse acompanhado isso poderia ter demorado ainda mais, vejo que já está conhecendo minha casa, ou melhor “nossa” casa, casa és su casa, mas que tal sairmos um pouco para de mostrar a cidade, creio que esteja faminta, vamos comer fora.

Sorri para ela, me virando em seguida para a serviçal a chamando com um movimento de cabeça, que fazia companhia a Lucinda a havia designado inteiramente para isso, ela seria quase como uma dama de honra.

— Quero que conheça Flora, ela será sua assistente em tudo que precise, qualquer coisa que necessite ela providenciará.

A  jovem se curvou para Lucinda, era uma mulher bonita mesmo em seu uniforme, com belas curvas, pele clara e lisa, seus olhos escuros pareciam conter um enigma divertido de desvendar.

— Iremos sair Flora, avise ao  pessoa que podem tirar a noite de folga.

Assim me aproximei de Lucinda.

— Podemos ir?
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Qui 15 Out 2015 - 23:00

Folheava um livro qualquer quando ouvi os passos despreocupados de Uriel em direção ao salão; fechei o livro deixando-o inerte em minhas mãos enquanto me pus a encarar a entrada aguardando-o se revelar por ela e assim que o fizera levantei-me ajeitando o vestido na esperança que Uriel trouxesse-me um pouco de animação naquela noite.

- Esta atrasado, mais um pouco e certamente já estaria morta. - comentei por implicância rindo debochadamente de suas declarações sobre nossa suposta casa, mas creio que meus olhos cintilaram num brilho sublime ao ser convidada para conhecer os arredores do castelo o que me fizera aceitar o convite sem pestanejar - Adoraria sair nesta noite agradável - sorri num misto de animação e insanidade - A vila ao pé da montanha parece ser... encantadoramente interessante.

Nos momentos seguintes fui apresentada a minha nova criada, Flora, que era visivelmente óbvio ter sido escolhida pelo próprio Uriel devido a sua bela aparência humana e assim como ela se curvara a mim, também fizera uma breve reverência em resposta. Todas aquelas cordialidades vindo dele deixavam-me cada vez mais desconfiada sobre os reais motivos de minha estadia naquele país, pois se havia algo que aprendera com eficiência durante meus últimos quatro séculos é de que Uriel tendia a meter-se em encrencas e consequentemente me arrastava junto de si.

Do lado de fora da construção a lua iluminava a vegetação ao redor com seu brilho harmônico mesclando-se a bela visão do castelo sob seus raios prateados, afastei-me de Uriel correndo alguns passos a frente com um riso divertido nos lábios, estava realmente animada por enfim sair e poder saciar meu desejo voraz por aquele liquido viscoso e escarlate. Virei-me a distância caminhando agora de costas de modo a ficar de frente para ele que vinha em passos calmos pelo extenso jardim, seus cabelos negros cintilavam a luz da lua destacando seus olhos azuis entre os fios soltos que caiam-lhe no rosto ao movimentar-se.

- Diga-me Uriel, algum motivo especial para esse lugar? - parei minha caminhada contrária esperando que ele me alcançasse para retomar o percurso ao seu lado enquanto planejava uma boa forma de me divertir quando chegássemos a vila.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Qui 15 Out 2015 - 23:14

O que pude notar era que Lucinda parecia sentir a necessidade de ter sempre uma resposta contra mim, mas não podia culpa-la eu era do mesmo jeito, talvez esta familiaridade era o que tornava o que tínhamos o mais perto do que poderia considerar uma família.

As palavras dela parecia conter entusiasmos sobre a vila, talvez teria que repreende-la antes que ela causasse mais bagunça do que poderia conter no momento, ainda mais com um original não muito longe dali.

Após as apresentações saímos para o céu aberto, a luz conseguia nos proporcionar um tom prateado a todas as coisas, quase como um preto e branco, porem mesmo que não a tivesse veríamos da mesma forma, um sorriso surgiu na face de Lucinda enquanto começa a correr em uma velocidade que humanos nem sequer entenderia o que seria, aquilo me pareceu um desafio.

Apesar de rápida acompanha-la não era difícil, mantive a uma distância considerável quando a pergunta surgiu aos meus ouvidos, sobre qual o motivo especial para aquele lugar, é a resposta era bem simples, aquele lugar me fazia lembrar da minha terra natal onde cresci, antes de tudo mudar, esta nostalgia me fazia ter saudade daquele tempo é ao mesmo tempo fortalecer minha vingança assim como a promessa feita, mas não era hora de Lucinda saber disso.

—  Bem... digamos apenas que gosto de novos ares, do que serve a vida imortal se não posso aproveita-la da melhor forma, sendo assim decidi sempre tentar conhecer um pedaço do mundo, apesar de já tê-lo feito é sempre bom ver como os humanos conseguem mudar as coisas em tão pouco tempo.

Sorri para ela, mas meu sorriso não durou muito, um barulho me chamou a atenção segurando , Lucinda pela cintura a prendi contra uma das paredes, com um gesto nos lábios fiz para que ficasse quieta.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Qui 15 Out 2015 - 23:31

Estava prestes a parabenizá-lo pela resposta poética que me dera quando senti seu humor mudar drasticamente e em fração de segundos estávamos contra uma das paredes externas do castelo, seu toque causou-me um calafrio quando sinalizou para que fizesse silêncio.

Minhas pupilas dilataram-se de forma a captar o máximo de luz possível intensificando meu grau de visão enquanto permaneci o mais silenciosa possível como fora ordenada. Não ouvira nada significativo que pudesse me induzir a um estado de alerta, mas Uriel nunca se enganara em seu instinto e seja lá o que fosse esperava que não nos causasse problemas.

Corri os olhos pelo quintal ao redor tentando identificar o que lhe chamara a atenção, mas meus olhos apenas captavam o brilho prateado da luz mesclado aos arranjos do jardim, queria perguntar-lhe o que fora quando uma sombra de preocupação passou por seus olhos, mas não quis arriscar e esperei inerte até que me permitisse falar.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Qui 15 Out 2015 - 23:56

Continuei segurando Lucinda pela cintura, ela olhou na mesma direção que eu, mas não conseguia ver ou sentir o que eu sentia, mais adiante na floresta que se estendia por vários quilômetros, seus olhos notar os olhos azuis a distância, me virei para Lucinda a soltando.

— Mais adiante tem um lobisomem na floresta, não e muito bom encarar eles quando estão em bandos, mais este parece ser um ômega, o que significa que é um lobo solitário, ou sua matilha morreu, ou ela o abandonou.

Esperava para ver se Lucinda absorvia tudo, mesmo mantendo informantes ele não sabia cada passo dela, muito menos se ela já havia passado por alguma situação parecida.

— Me diga Lucinda o que quer fazer? — Meus lábios se curvaram em um desafio. — Gostaria   de ir no vilarejo ou quer jogar um joguinho diferente, que eu acabei de dar o nome de pegue o lobo?

Um lobisomem abandonado não era uma ameaça talvez nem mesmo um alfa seria oponente o bastante, mas talvez seria uma boa oportunidade para ver Lucinda em ação, caso ela tivesse dificuldade eu ajudaria, da minha maneira é claro.

—  Podemos até deixar isso mais interessante... Se você conseguir abate-lo, antes de mim, lhe dou o direito de fazer qualquer pergunta que queira, é ai o que vai ser? — Provoquei.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Dom 22 Nov 2015 - 12:47

Suas mãos em minha cintura despertavam-me leves arrepios e agradeci em pensamentos quando ele se afastou subitamente de modo a evitar uma situação embaraçosa demais. Aparentemente ele nada notara visto que logo informara o motivo do alerta. Um ômega vagava ao redor da propriedade e assim como fora detectado por Uriel, não duvidava que em breve ele também nos detectaria. Confesso que nunca havia cruzado com um lobo solitário antes, habitualmente eu os evitava e quando o encontro era inevitável eu, simplesmente, escorregava por entre suas garras sujas e desajeitadas sem muito esforço.

Me diga Lucinda o que quer fazer? Gostaria de ir no vilarejo ou quer jogar um joguinho diferente, que eu acabei de dar o nome de pegue o lobo? - Naquela noite promissora e em companhia de meu mestre talvez fosse uma diversão oportuna, embora desconfiasse que ele não facilitaria as coisas pra mim ao lançar-me o desafio.


Bem... - ponderei a proposta andando vagarosamente em círculos ao seu redor olhando-o com um dedo nos lábios.

—  Podemos até deixar isso mais interessante... Se você conseguir abate-lo, antes de mim, lhe dou o direito de fazer qualquer pergunta que queira, é ai o que vai ser? - ele não me achava tão ingênua, achava? Questionei-me.

Que tal reformularmos essa proposta? - um sorriso malicioso desenhou-se em meus lábios exibindo o branco impecável dos caninos - Se eu abate-lo primeiro você terá que me responder qualquer coisa sem rodeios e meias palavras. - fiz uma pausa desfazendo o sorriso ao me aproximar dele - Mas se eu você ganhar... bem, deixo a seu critério. - se ele achava que me ganharia assim tão fácil, estava muito enganado, afinal, aquela velha proposta não funcionava mais comigo.

Eu não precisava ganhar um jogo para ter o direito de fazer-lhe perguntas, eu precisava de um jogo onde tivesse o direito de receber respostas e aquela era uma oferta sem nenhuma vantagem para mim.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Dom 22 Nov 2015 - 14:46

Observei em silêncio esperando a resposta dela, afinal sempre soube do desejo dela de descobrir meus segredos, mas esta não era uma tarefa fácil, ela começou a caminhar lentamente como se ponderasse se aceitaria ou não, o lobo se não os detectara logo conseguiria.

Ela então se virou para mim, um sorriso malicioso se formava em seus lábios, falou que poderia reformular a proposta que ofereci, ela sugeria que se ela conseguisse pegar o lobo primeiro teria que responder qualquer coisa que ela quisesse, e se ele  conseguisse ganhar  ele poderia escolher o que queria.

Me aproximei dela a pressionando contra uma arvore, meus olhos penetraram os delas, e sussurrei em seu ouvido.

― Tem mesmo certeza que vai deixar meu prêmio tão abrangente assim? Mesmo sendo seu mestre nunca compeli você a fazer nada, mais ganhando este passe livre a coisa seria um pouco diferente.

Falei me afastando de seu ouvido enquanto sorria para ela.

― Não quer reconsiderar e impor um limite, acredito que este jogo é meio injusto afinal sou mais rápido, forte e... experiente. ― Provoquei Lucinda.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Sab 28 Nov 2015 - 18:22

Senti suas mãos firmes envolverem novamente minha cintura quando fui posta contra um velho tronco, seus olhos eram como duas safiras ao me fitar e sua voz era como um toque de veludo aos meus ouvidos, mas não permiti que me ludibriasse com seu jogo fácil.

Revirei os olhos diante da ameaça fracassada de meu mestre exibindo um sorriso debochado nos lábios - Ora meu querido, logo você se preocupando com limites? Achei que vivesse além deles, sendo assim, para quê mante-los agora? - afastei-o de mim empurrando levemente minhas mãos em seu peito e deslizando por baixo de seus braços e rumei para os portões do castelo sem olhar para trás.

- Você vem ou ficará a me olhar com essa cara de bobo? - falei ao longe sem me virar destrancando o grande portão.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Uriel Ivanov em Sab 28 Nov 2015 - 19:17

Minhas tentativas de alerta-la foram em vão, ela deveria saber que em uma real disputa não teria chance contra mim, seus olhos desviaram dos meus, enquanto abria um sorriso, me empurrou lentamente.

Em seguida avançou tranquilamente para fora dos portões do castelo, logo o lobo a sentiria, uma vez que isso acontecesse, teríamos duas escolhas, enfrentá-lo ou caça-lo, sorri para a coragem dela.

Ela me perguntou se iria ou ficaria ali com cara de bobo, talvez eu estivesse um pouco surpreso, não que corresse risco de perder apenas por ver o quanto ela acreditava que tinha alguma chance.

― Vou sim, mas darei uma vantagem para você se não isso nem terá graça, darei uma vantagem de dois minutos acho que é um tempo bom. Veja! O lobo está correndo.
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Re: França, Séc XVII

Mensagem por Lucinda Price em Dom 29 Nov 2015 - 11:41

"Darei uma vantagem a você", disse ele quando passei pelos portões, então virei-me e o tranquei novamente desaparecendo pela relva da floresta deixando escapar um risinho provocante até não poder mais vê-lo.

A floresta era de mata fechada exceto pela trilha que levava até o castelo por onde eu passara na noite anterior quando chegara da breve viagem. O cheiro das árvores misturavam-se ao aroma das flores silvestres da região numa sintonia agradável da natureza, caminhei a passos lentos pelo início da trilha tentando localizar o lobo solitário e quando o inconfundível cheiro de cachorro molhado invadiu minhas narinas desviei da rota principal e me embrenhei na floresta indo em direção paralela ao vilarejo.

Meu vestido farfalhava a cada passo ao varrer as folhas secas do chão, algo que expunha claramente minha localização, mas não estava preocupada com isso, mantinha-me a uma distância segura para evitar qualquer imprevisto que surgisse devido a esse detalhe. Se Uriel achava que faria todo o serviço sujo a troco de nada, estava muito enganado. Toquei minha adaga sobre a longa manga do vestido para me certificar de que estava com ela e a saquei lentamente deixando que brilho sutil da lua refletisse em sua lâmina polida e se estendesse até o imponente rubi em seu cabo.

Deslizei os dedos até a ponta da lâmina e a segurei firme entre eles baixando a arma ao lado do corpo, não pensava em me aproximar caso tivesse a chance de abater primeiro a fera. Ser bruta em batalha nunca me agradou e não correria o risco de sujar minhas roupas com o sangue sujo de um cão qualquer.


Já passara algum tempo e provavelmente Uriel já estava em meu encalço, embora estivesse em desvantagem não planejava entregar-lhe a aposta sem esforços, então aproximei-me ainda mais do odor típico do lobo que se intensificava a cada metro enquanto passava por galhos secos e troncos retorcidos.
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