Amsterdã

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Amsterdã

Mensagem por Fantasma em Qua 2 Dez 2015 - 7:56



Holanda  Amsterdã

Amsterdam sempre fora uma cidade belíssima com suas histórias, dentre elas fatos ocultos que muitos moradores não gostavam de partilhar. Além disso havia o maior parque de Amsterdã, que é um dos mais belos de toda a Europa algo para se orgulhar.

Localizado no centro da cidade é o coração da nação, ficando próximo a diversas áreas de muito interesse de visitantes que iam é vinham com muita frequência. O parque tem uma imensa área repleta de lagos, com belas arvores e animais um recanto onde se podia ter paz é sossego, nos dias de sol o lugar era repleto de luz e vida, mas isso não tirava a beleza das outras estações.

Muitos pontos turísticos preenchem o tempo de muitas pessoas dentre elas o De Dam uma praça histórica, assim como o Palácio Real e a igreja nova.

Mais nem só de beleza aquela cidade era formada, nas noites escuras e frias, capítulos sombrios se escreviam na penumbra das esquinas, mortes sem explicação assim como grupos que pareciam tentar mostrar sua dominância.
Mesmo nos dias atuais uma história secundária se forma a parte da vida comum que a maioria da população estava acostumada.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Hannah McGraw em Qua 23 Dez 2015 - 23:37

Não é verdade que
 o sofrimento enobreça o espírito;
 por vezes a felicidade fá-lo,
 e o sofrimento a maior
 parte das vezes torna
 os homens vingativos.


Fazia anos que eu não encontrava meu lugar naquela aldeia; desde a morte de Rick para ser mais exata; por mais que meu irmão mais velho repetia todo dia quem eu era, nada parecia mais ser como em minha infância. Os olhares de desgosto dos mais velhos e da insegurança em algumas crianças, não me deixava esquecer quem eu era; não era como se eu não pudesse me transformar, naquele dia fatídico eu soube que podia, a força transbordava com uma sensação maravilhosa, indescritível! Mas fora de controle.

Lembro-me como se fosse ontem do enterro do meu melhor amigo, a dor dos meus machucados e a dor no fundo de minha alma, não tive coragem de ir no funeral a culpa era maior que a dor da perda; não poderia encarar Aled, não naquele momento, meu pai e Caleb diziam milhares de vezes que a culpa não era minha, mas como acreditar? Mesmo que ninguém admitisse. A culpa era minha!

Com a morte dele, pude me desprender do que sempre esteve dentro de mim “a maldição”, aquela doença que meus pais juravam ser verdade, mas no fundo eu sabia que não era; com a frustração de não poder me defender, depender sempre dos outros, depois o pânico de ver Rick morto na minha frente, a raiva ao escutar aquela risada diabólica; não sei ao certo o que influenciou, só me lembro da sensação e do cheiro de sangue, mas não era só meu, uma mistura que a cada inspiração se tornava mais evidente é intensa.

Como se tudo aquilo não fosse o suficiente, parecia que forças maiores me amaldiçoavam! Depois de anos de treinamento e alguns deslizes fortes o suficiente para me fazer perder o controle novamente; minha vida estava começando a voltando a normalidade, Caleb servia como meu guia, mesmo escutando coisas sobre nosso relacionamento ser suspeito para dois irmãos, mantínhamos nossas cabeças levantadas, sabíamos quem éramos e aqueles comentários maldosos não me fariam perder o foco.

Naquela noite fria de inverno, eu estava com uma indisposição que me fez ir para a cama mais cedo, tomei um chá que minha mãe fez e recebi um beijo na testa “descanse minha flor” foram as últimas palavras que escutei dela. Despertei com o cheiro forte de madeira queimada, gritos e cheiro de sangue; mais parecia um pesadelo, mas não era. Levantei pegando um casaco e calçando os tênis, antes de sair do quarto fui surpreendida com Caleb sendo seguido por dois amigos fieis de nosso pai.

 ― Quero que vá com eles agora! Te encontro mais tarde – Disse ele me dando um beijo no rosto após um breve abraço, ele estava tremendo, um homem grande como ele tremendo só significava que algo realmente terrível estava acontecendo. Aled e Throst eram muito mais fortes que eu, mesmo que eu não quisesse deixá-los, os dois me arrastaram pela entrada dos fundos de casa até a floresta, minha frustração tomou conta de mim; mesmo me debatendo, gritando, arranhando os dois... Era simplesmente inútil! Mas eles sabiam que assim que eu fosse tomada pela raiva, nem mesmo eles poderiam me segurar com tanta facilidade e como um passe de mágica, tudo se transformou em trevas, não sabia dizer o que havia acontecido.

Acordei no dia seguinte em uma cama de um hotel barato, com uma forte dor de cabeça; estava com um galo enorme na cabeça, não sentia mais cheiro de sangue ou de madeira queimada, ou de qualquer conhecido, se não os dois guardas costas; eles me contaram o que aconteceu, Matt havia feito os dois jurarem que iriam sair da aldeia com os dois filhos, mas Caleb não podia deixa-lo cuidando de tudo sozinho, por isso voltou para ajudar. Semanas mais tarde os dois voltaram para a aldeia, para procurar por sobreviventes, mas estava tudo queimado e o corpo do meu pai e de Caleb não estavam junto com os demais. Talvez estivessem vivos! Era um doce sonho em meio àquela tormenta que tentava me convencer que a qualquer momento eles apareceriam.

Muitos anos haviam passado aproximadamente trinta no tempo humano, desde que meu clã fora destruído, Aled e Throst insistiam que deveríamos nos unir a outro bando, outro clã! Seria mais seguro para mim, para eles; tentaram por muitas vezes, mas eu não conseguia ver outro homem que não fosse meu pai, como um Alfa, sempre arrumava briga e não era aceita; se não era isso, era por eu ser fraca de mais, como podiam aceitar alguém que não se transformava e ainda arrumava briga com todos que chegava perto? Eu buscava os culpados por dizimar o meu clã, como podia brincar de casinha em outro clã? Não suportava a ideia; dizia mais de mil vezes para que os dois me deixassem e se unisse a um bando qualquer, eles já não eram novos, uma vida nômade como a minha não era fácil para eles, mas por serem fiel á minha família ainda me tratavam como criança, e não me deixavam em paz!

Nossa nova moradia, se localizava em Amsterdan; faziam alguns meses que estávamos naquela cidade em busca de pistas, de quem destruiu nosso clã sabia, quem quer que fosse sabia se esconder muito bem e não deixava muitas pistas; naquela manhã Throst estava impaciente, algo fora do comum; insistia novamente que devíamos esquecer aquele assunto, passado era passado, mas quem eram eles para falar sobre passado? Minha família inteira estava morta e quem era o culpado por aquilo seria punido por mim.

Hannah! Pare de ser infantil! Fazem quase trinta anos e não achamos nenhuma pista real sobre o quem nos atacou! Esqueça essa vingança estúpida de uma vez por todas! – Eu melhor que ele sabia que aquela busca era um grande fracasso, mas aquilo era a única coisa que me mantinha em pé.

Hann, escute o Throst! Isto está sendo inútil! – Aled era o único que eu nunca consegui discutir, ainda me sentia culpada pela morte do filho dele e para não perder o controle com os dois, sai de casa, batendo a porta com força, escutando os dois gritando nas minhas costas; Não gostava daquela situação, mas estava frustrada; Novamente estava dependendo dos outros para sobreviver e mesmo sendo filha do Alfa do nosso antigo clã, ainda era tratada como criança.

 Precisava tomar as rédeas da minha vida, é para isso precisava controlar minha transformação, mudança esta que diferente dos demais eu não sabia qual era o gatilho além da fúria ou perda de controle extrema, eu não poderia depender disso, mais como poderia aprender isso, ninguém do meu clã havia passado por algo semelhante.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 27 Dez 2015 - 14:17

- Você realmente acha que seria tão simples assim ? - Speranza sentado no banco da limousine em frente ao meu, com ar confortável e balançando devagar uma taça já vazia me indagava. 

- O que eu acho nunca importou. Apenas fico intrigado em ver que por alguma razão vocês se beneficiam dos meus talentos mas me deixam a uma distância segura como se eu realmente oferecesse riscos. Eu sempre fui dinâmico e essa valsa me cansa Speranza. 

- O que você realmente esperava ? Que ele fosse em pessoa te receber no aeroporto e apertar sua mão agradecendo cada centavo que lucrou para ele ? 

- Se você realmente acha que sou tão boçal assim não há motivos para insistirmos nessa conversa. 

- Joshua... - ele inclinou-se para a frente e obrigou o outro a encará-lo apenas pelo seu tom fatigado - Uriel deu permissão para que você desempenhasse um papel de importância. É assim que ele efetivamente começará a te conhecer, será que está claro ? 

- Se é para desempenhar funções de lobista acho que já fiz o suficiente para rechear o meu portifólio e encher os olhos de quem quer que seja. 

- O que fazemos aqui não é apenas uma reunião de negócios. É evidente que Uriel tem algum interesse neste lugar e o empreendimento hoteleiro é apenas uma fachada. 

Eu simplesmente não conseguia mais ouvir Vladimus falar então balancei a cabeça e fingi compreensão. Foquei meu olhar pela janela do carro suntuoso enviado pela rede de hotelaria que queria se instalar em Amsterdan e dominar o mercado local. Eu estava ali como um consultor e sabia que não se limitaria a isso. 

O que mais me incomodava era o fato de não reconhecer o tipo de desafio e não ter qualquer dica sobre qual minha real função. Vladimus Speranza, aquele que transformara meu pai - atualmente desaparecido - e a mim não se deslocaria pela Europa apenas para me acompanhar. Uriel Ivanov havia dado um tipo de sinal verde para nós e eu simplesmente não sabia rumo a quê acelerava. Era enervante. 

Após um vôo conturbado desembarcamos a noite no aeroporto e um motorista nos aguardava com sua limo e nos conduzia para hospedagem num hotel cinco estrelas onde na noite seguinte teríamos uma conferência para análise dos prós e contras do investimento. 

Nunca dominei matérias que não fossem indispensáveis ao meu interesse, mas havia aprendido a fazer pesquisas prévias de mercado, análises econômicas, geográficas e estava claro que aquele negócio seria rentável para todos os envolvidos. Apesar de seu forte apelo turístico a Holanda galopava rumo a efetivação de um pólo comercial e precisava de acomodações de nível internacional para comportar grupos de investidores, cientistas, empresários e políticos de renome. A Best Western era uma rede que estava enfrentando uma crise por conta de desvio interno e com o menor assédio poderia ser uma opção de compra. o dono de uma empreiteira também viria para esclarecer custas, logística e viabilidade de um projeto de construção de edifícios em pontos estratégicos. 

Então a noite seguinte prometia uma reunião com advogados, engenheiros, políticos, contadores e diretores de ao menos quatro nacionalidades distintas e o que mais me preocupava era saber se algum deles poderia ter o que eu aprendi a chamar de vida dupla. Que outro motivo Uriel teria para enviar a nós dois para tal lugar ? 

Quando a limousine finalmente estacionou carregadores vieram buscar nossas bagagens e valises e após uma rápida passada pela recepção fomos destinados aos nossos respectivos quartos. Um ao lado do outro com porta compartilhada entre ambos e tudo mais que um ótimo estabelecimento deve oferecer. 

Speranza disse que tinha assuntos a tratar e nem me importei em saber se seria algo feito em seu quarto ou pelas ruas holandesas. Eu simplesmente resolvi sair e desfrutar um pouco de certo anonimato depois de tomar um banho e me preparar para uma noite que certamente seria bem aproveitada. 

Eu precisava baixar meu nível de stress.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Fantasma em Dom 27 Dez 2015 - 16:31

A noite estava perfeita, sem lua e com algumas poucas estrelas o ar era frio, humanos se agasalhavam para tentar aquecer seu corpo frágil, delicado e suculento para outros; aquele cenário era perfeito para ser palco de grandes acontecimentos.

Assim que o rapaz saiu do quarto seus olhos já o havia identificado, era como Vladmus  havia dito, poste ereto, postura firme cheiro de si como se pudesse enfrentar o mundo sozinho de peito aberto, estes tipos eram o que o mensageiro mais gostava de encontrar, adorava partir ao meio toda aquela marra de um quase recém criado.

Suavemente ele se aproximou dele no corredor vazio, onde estavam apenas os dois.

― Então você é o Joshua Ford? Devo dizer que tem alguns traços de seu pai, espero que seja apenas mais esperto que ele.

Falou com um tom neutro mais com uma voz firme, seu corpo está envolto em um manto negro.

― Ivanov te dar as boas-vindas a Amsterdã, eu serei o seu guia por esta noite, pode me chamar de fantasma, irei revelar o seu real motivo aqui, sua condição de recém-criado vai servir perfeitamente como desculpa para o que acontecerá logo em breve, pode me seguir por gentileza?
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 27 Dez 2015 - 16:43

Em nada me agradei de ouvir e encarar aquela abordagem. Contudo, estava numa situação rara e incônica da minha não vida: pela primeira vez eu era um subalterno. Minha família e todos os com quem tive maior intimidade sabem que jamais fui esnobe ou soberbo. 

Tive oportunidades e as aproveitei bem e o comentário do tal Fantasma acerca de meu pai atingiu-me em cheio, mas evidentemente logo me recompus. Não sabia o que ele havia feito de certo ou errado e nem por quê seu paradeiro era desconhecido. O que sabia é que era a minha vez de me envolver com aqueles seres e sofrer as provas de fogo. 

Era evidente que os mais experientes e poderosos haviam atravessado séculos, provavelmente engolindo desaforos e sapos como se fosse o próprio brejo e eu saberia esperar. Não era o que queria ? As engrenagens finalmente estavam sendo postas em movimento. 

- Diga ao senhor Ivanov, quando possível, que agradeço a oportunidade. E sigo logo após o senhor... 

Meu sorriso, tom educado, expressões controladas e finesse contrastavam com meu olhar brilhante e meticuloso. Eu estava excitado e finalmente entrando em curso de algo superior a tudo que havia encontrado até então. Acautelei-me e soada a largada tudo que eu precisava fazer era segui-lo. 

E assim o fiz.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Fantasma em Dom 27 Dez 2015 - 17:35

O recém criado teria que saber um pouco do vespeiro que esta se metendo, provavelmente seu criador ou deixara a par apenas do básico, mas o que ele precisava fazer exigia um pouco mais de conhecimento.
Enquanto caminha o fantasma era seguido por Joshua, que permanecia em silencio, do lado de fora caminharam pelas sombras.

― Sua tarefa aqui está interligada com um dos originais, acredito que Vladmus não explicou isso para você, mais existe uma sociedade até mesmo entre os vampiros, os imortais tem carta branca pra quase tudo, mas não tudo quando uma lei e infligida são eles que aplicam a punição, eles são conhecido como os Volker.

Falava tranquilamente enquanto caminha nas sombras, sem ser notado  por outras pessoas, como se conseguisse se fundir as sombras, enquanto Joshua chamava atenção de mulheres é ate mesmo homem.

― Aqui em Amsterdã fica a residência de um dos originais, sua missão real será entrar em contato com ele, é usar de suas habilidades para convence-lo que  o grande confronto esta chegando, não poderá citar Uriel, terá que usar suas próprias armas para chegar até ele, mas aviso um erro é você estará morto.

Continuava a revelar no que o recém criado estava se metendo apenas para que soubesse porque infelizmente ele não tinha muito o que fazer a este respeito.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 27 Dez 2015 - 18:59

Eu procurava caminhar como se não estivesse seguindo um Coelho Rumo a entrada para o País das Maravilhas. Juro que me sentia bem amalucado andando ao lado daquela figura. De tempos em tempos eu olhava ao redor e via pessoas de relance. Quando dava tempo eu sorria e até assentia com a cabeça, mas não perdia tempo algum com distrações. 

O tal Fantasma era tudo que me importava. 

- Peço que não economize no seu relato. Pode me dizer tudo que vier a sua mente e até me procurar se achar que se esqueceu de algo. 

Eu ouvia com atenção e memorizava o termo "Volker". Vladmus havia dito que os poderosos estavam sempre de olho, mas como se não confiasse efetivamente em mim ou achasse desnecessário nunca havia citado o tal nome da família. 

- Encontrar um original, ter com ele, alerta-lo do grande confronto e sob hipótese alguma citar Uriel. Certo, mas ... Fantasma... O que é o Grande Confronto ? E como eu teria tomado conhecimento disso ? 

Eu estranhava totalmente essa história de eu estar por minha conta e ter uma missão tão importante. E havia lido histórias suficientes para saber o que acontecia com mensageiros quando a mensagem era inadequada ou desagradava seu receptor. 

Ao menos de algum modo me vi dentro do jogo e senti algo semelhante a um desafio das antigas, quando tudo que eu tinha era o nome da família e algum talento primordial. Me peguei sorrindo antevendo o prazer de ser bem sucedido.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Fantasma em Dom 27 Dez 2015 - 19:28

Um diferencial encontrado em Joshua era que ele era inteligente, isso ficou claro com as poucas informações passadas a ele, qualquer outro se sentiria capaz de realizar qualquer coisa, ainda mais sem saber o que enfrentariam, boatos não seria suficiente para refrear o seus impulsos, mas ele parecia compreender o grau de complexidade que envolvia aquela missão.

― Direi o que precisa saber, não mais que isso o resto cabe você desvendar mais que uma missão isso é um teste para você tenha isso em mente, provavelmente não nos veremos depois desta noite apenas se for algo realmente necessário, por isso foque em minhas palavras e as use com sabedoria.

Quanto mais caminhavam mais se afastavam das luzes da cidade, que ia ficando mais distante, seguindo por uma estrada de pedras que logo se transformou em uma estrada de chão.

O recém-criado fez sabias perguntas talvez as respostas fossem o real problema delas.

― Escute Joshua o mundo e muito grande, de tal forma existe diversas camadas em um mesmo plano, o mundo dos humanos e apenas a superfície inicial, que ao se aprofundar vai se descobrindo coisas sobrenaturais e impossíveis, este mundo precisa estar em equilíbrio, é algo que a natureza se encarrega de fornecer, mas quando isso é ameaçado tudo que se pode fazer é tentar evitar a grande calamidade de ocorre.

O tom de voz era frio, passando por uma floresta o sombra parou atrás de uma arvore e apontou para a frente.

― Está vendo lá na frente? É o castelo do original é onde terá que se apresentar, você terá  que achar uma forma de mostrar para ele que a informação é de fato importante, cite o nome de Caim, isso pode te ajudar, caso não saiba do que se trata sugiro que pesquise ou pergunte para o Vladmus, o confronto é uma rixa familiar que pode acabar envolvendo todo mundo consumindo tudo. Não existe lado certo ou errado, bem ou mal existe apenas mais tolerável para se estar...

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 27 Dez 2015 - 22:27

Fantasma tinha uma boa didática. Só exigia minha atenção e memorização. Isso ele já tinha de sobra, afinal, eu estava há quatro malditos anos me adaptando e esprando para ser mais do que um peão desconhecido nesse jogo sobrenatural. 

Caso eu fosse tão egocêntrico a ponto de escrever um diário acredito que as centenas de páginas tratariam da minha obsessão até chegar em Amsterdam. Competência eu tinha de sobra e a primeira grande prova crescia diante dos meus olhos em forma de uma arquitetura marcante e um tanto quanto sombria. 

- Não pude escolher um lado, mas é claro que estou pronto para defender aquele no qual me encontro. Por qual nome devo chamar o tal Volker ? Quanto a Caim acredito que busquei me informar bastante sobre ele no meu primeiro ano. Acredite que saberei conduzir essa conversa. O que é uma incógnita é a dificuldade da aceitação do meu - fez sinal de aspas com os dedos - cliente. Como lhe informarei meu desempenho e desfecho da missão ? 

Eu simplesmente não conseguia parar de observar aquele castelo. Era convidativo, misterioso e parecia um labirinto que guardava uma quimera, minotauro ou outro ser mitológico igualmente mortífero. Eu não cutucaria nenhum vespeiro com vara curta uma vez que seria polido e respeitoso, mas me sentia como uma criança que escolhia o presente através de uma vitrine tendo a certeza de que em breve o seguraria e levaria pra casa. 

Na minha posição há de se compreender que eu precisava dessa vitória, do contrário seria um tiro n'água antes mesmo do início do torneio.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Fantasma em Seg 28 Dez 2015 - 11:15

Joshua tinha uma forma interessante de ver as coisas, porém ele não imaginava o terror ou onde estava se metendo, porem ele não tinha muita escolha, de fato ele não pode escolher um lado mais isso era apenas um detalhe em meio a grandes acontecimentos que se desenrolavam, ele poderia ser a linha que permitiria uma reviravolta.

― Caim é um assunto sempre delicados, muitos não acreditam em sua existência, outros dizem que ele retornará, o que eu acredito ou você não faz diferença, por mais pesquisa que tenha feito tenha cuidado, muitas informações não são verdadeiras, sobre os Volker sugiro que descubra uma forma de ser aceito pelo original.

O tom de voz era sério, o manto não revelava nada do corpo do “fantasma”, isso era uma precaução necessária, caso sua mente fosse invadida, não poderia correr o risco de colocar tudo a perder.

― Você terá que descobrir a identidade do original, digamos apenas que não gosta de se envolver muito em assuntos do mundo humano, mas quando se trata de Caim pode abrir uma exceção, um conselho não fale de negócios humanos, terá que trabalhar outros assuntos, quem sabe abusar de sua “inexperiência”, afinal é um recém-criado que não sabe quem é seu mestre é ouviu boatos de uma sociedade de vampiros por outros vampiros.

Isso era tudo que ele poderia oferecer a Joshua, a partir dali era por sua conta.

― O que tinha a passar a você era isso, você tem três dias para conseguir isso, depois deste prazo não será relevante a informação ao original, se conseguir se misturar e ganhar a simpatia do original, Uriel poderá revelar mais do que ele planeja, caso contrário torço para que sua morte seja rápida é indolor...

Se misturando as sombras o vulto desapareceu deixando o vampiro sozinho a uns dois quilômetros de distância da grande construção.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 28 Dez 2015 - 13:31

Me lembro de ter ficado estático ouvindo coisas que não faziam lá muito sentido. Passei a mão pelo rosto e cocei a barba, sinal de que estava mesmo em apuros. Quando me dei conta Fantasma havia evaporado, o que afinal fazia todo sentido. 

Repassei mentalmente a conversa e cheguei a conclusão de que eu deveria me infiltrar colocando minha cabeça a prêmio na boca da fera, inventando uma história mirabolante e que poderia custar minha existência. 

Coloquei as mãos nas costas, arqueei o tronco para trás e dei uma risada baixa. Recomecei a andar balançando a cabeça e me sentindo uma verdadeira bucha de canhão. O que mais me intrigava era o quê Uriel queria testar ou provar fazendo aquilo ? 

Não era minha prioridade, mas definitivamente uma pulga que ficaria atrás da orelha por algum tempo. Olhando pelo lado bom uma morte rápida e indolor poderia levar a pulga consigo. De fato mesmo uma morte lenta e sofrível acabaria com essa dúvida. Que diferença fazia ? 

Quando ainda vivia eu acreditava sinceramente em vida após a morte. E agora que eu estava literalmente experimentando-a não tinha nenhuma esperança de que houvesse algo depois. Me lembrei de um filme antigo com Leslie Nielsen, o nome "Drácula - Morto, mas Feliz". O ator era uma figura, típica comédia besteirol que arranca algumas risadas sinceras. O que mais eu poderia querer além de manter o bom humor ? 

Em momentos decisivos de minha vida, sempre que eu sucumbia a preocupação, medo ou stress meus resultados eram os piores possíveis. Eu era como um corpo em rota de choque dentro de um veículo: quando me comportava como um bêbado descuidado e sem cinto de segurança os danos eram baixíssimos ou inexistentes. Se ficasse rijo, a reação normal de alguém durante um acidente sem altas doses alcoólicas no sangue, me arrebentaria inteiro. Era necessário demonstrar sutileza e não teria segredo: eu só precisava fazer a ultrapassagem na curva no momento exato para ficar com o pódium. 

Estava decidido: eu voltaria para o hotel após dar mais algumas voltas e conversaria com Speranza. Assistiria Drácula no pay perview e daria início a ação na noite seguinte. 

E sorrindo.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Ter 29 Dez 2015 - 21:41

- Duas ligações em uma noite? Devo ter tirado sorte grande! – Disse em um tom ríspido ao falar no telefone com Leonard; Mas cheguei no hotel em Amsterdan e ele já ligava, como se pudesse fazer algo com o dia amanhecendo! E ele me respondia no mesmo tom.
 
- Se eu não gostasse tanto de você, não aturaria estas brincadeiras Sofy! – Fazendo caretas como se o imitasse, debochando do mesmo; Minha rixa com meu criador já duravam séculos e nenhum dos dois dava o braço a torcer para uma convivência mais... Como posso dizer? Aceitável? Mas contive-me, esperando as ordens; Sempre com língua afiada com meu criador, mas sabia até onde poderia ir;
 
- Que bom que nos entendemos... –Ele dava uma pausa, sentia ele mastigando meu orgulho naquela hora, fazendo meu sangue ferver – Sempre um passo a frente, suponho que já sabe o que essa cidade tem de especial? – Um original... Foi a primeira e única coisa que me veio a cabeça; Por sorte meu As sempre me mantinha informada.
 
- Está falando dos Volkers? Ou dos vira-latas que estão na cidade?  - Duvido que seus assuntos se limitasse a meros Lobisomens, até porque aonde ia a cidade possuia esse cheiro de cachorro molhado – Por isso é minha predileta... Pesquise sobre ele na cidade – Podia escutar ele se ajeitando na poltrona de couro, certamente estava olhando pela janela de sua luxuosa cobertura enquanto girava o Jack Deniels no fundo do copo de cristal, se sentindo o rei do mundo; Revirando escutando tudo aquilo - Use seus contatos para se inteirar sobre os assuntos que rodeiam a cidade... Acredito que seus anos de Etiqueta servirão como uma luva para este trabalho...
 
Tive que morder a língua para engolir alguns palavrões de indignação – Como sempre quer que eu pesquise e de um jeito? Teu famoso jeito de dizer “te vira”? – Como resposta escutava uma bela gargalhada, algo que ainda me dava arrepios; Será que no fundo ainda sentia admiração ou simplesmente era por estar presa aquele imbecil? – Qual seria a graça de te entregar tudo de mão beijada? Tenha uma bela manhã de sono, minha doce Sophya!
 
Jogou o celular encima da cama, com o sangue a ferver; Como ele podia me irritar tanto? Sentia um embrulho no estomago por ainda sentir aquele frio na barriga quando ele ria; Seguindo para o banho, tirar toda aquela poeira e sujeira de duas viagens uma encima da outra, esfriar a cabeça; A água correndo forte e morda, perfeita para um banho relaxante, sentir a pressão da água batendo em minhas costas e depois deslizando sob a pele estava perfeita, poderia passar horas ali, talvez sentar apenas tirando o peso do mundo das costas... Peso da Alice, a preocupação atingia o espírito, será que ela ficará bem? Espero que ela consiga se manter longe dos lobos!
 
Como roupa pós banho, coloco uma camiseta maior que meu numero, dando toda liberdade que eu precisava para dormir; Deslizando o corpo para debaixo das cobertas brancas e bordo até repousa no centro da cama, tateando para achar meu celular no meio do caminho; Acordei perto do anoitecer, pelas 17h, como sempre dormia demasiadamente após muitas viajens; Ligando o notebook para pesquisar sobre os próximos eventos e bares da cidade; Só de me lembrar que ele falava sobre minha impecável etiqueta, já imaginava que podia dar de cara com um Original, ele pretendia me matar?
 
Já passava das 20h e não encontrei muita coisa sobre o que procurava melhor esfriar a cabeça e nada melhor que uma bela taça de vinho tinto! Podia sentir o gosto daquele liquido envelhecido em barril de carvalho. Abri a mala procurando uma roupa casual para começar a noite; Olhei uma, duas... Três... Para então escolher o primeiro: Calça jeans escura e colada, botas de cano alto de couro preto; Blusa básica mais folgada grafite e uma jaqueta preta por cima; Não quero chamar a atenção, pelo menos por enquanto!
 

Sai do quarto batendo a porta sem olhar para trás, preciso espairecer e o bar do hotel seria o lugar perfeito! Pegava o elevador para chegar finalmente ao luxuoso restaurante... Sem delongas me dirigia ao bar, observando todo o movimento e pedindo um cálice de vinho.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Qua 30 Dez 2015 - 20:19

Pensei em dar uma esticada até a Cervejaria da Heineken, afinal, mesmo sem o passeio ainda era possível ir até o World Bar que fica em suas dependências. De lá poderia dar uma passada no Mercado Albert Cuyp e comprar alguns stroopwafles. Eu sempre tive dificuldade em compreender como aqueles waffles e o haring, que nada mais era do que peixe cebolado, podiam ser tão bons e custar não muito mais do que um ou dois euros. 

Eu poderia fazer tudo isso, até deveria para tentar relaxar mas nem mesmo um passeio de barco pelos canais seria perfeito para isso. Minha mente fervilhava e eu precisava ir ter com Speranza. 

Imagine você a minha frustração quando cheguei ao quarto, adentrei o dele e não havia nenhum sinal ? Tampouco era possível localiza-lo pelo smartphone ou gps. Me satisfiz em pedir uma garrafa de um Cabernet Blanc raramente produzido em Groninga e de uma safra escandalosamente boa. Eu não apenas ingeri como praticamente drenei a primeira, segunda e terceira garrafa. 

Não cheguei a ficar alegre, mas com o notebook em meu colo e toda uma world wide web a meu dispor refiz algumas buscas, vasculhei algumas notícias e assisti um a reprise de um GP antes de finalmente resolver dormir. 

... 

Mesmo quando despertei não havia qualquer sinal do meu mestre. 

Mestre. 

Palavra difícil quando você não está atrelado a uma obediência cega ou mesmo deve seguir ordens como um vassalo qualquer. Speranza me deixava suficientemente solto para pedir coisas de tempos em tempos e por vezes eu até me esquecia que estava naquela situação graças a ele. 

Sem agradecimentos ou mágoas. Eu apenas estava e não era a pior coisa que já havia me acontecido na vida. Ou na não vida, muitas vezes me confundo. 

Me levantei, coloquei um dos meus melhores ternos escuros com uma gravata de seda carmesim, sapatos pretos e me preparei para a reunião. Reunião esta que misteriosamente foi adiada por conta de problemas aéreos graças a um destes vulcões que de tempos em tempos expele suas cinzas e coloca todos em alerta. 

Isso ao menos renderia um leque maior de tempo e oportunidade para cumprir o que Fantasma me instruíra. Desci para o saguão do hotel disposto a sair pouco antes das 7 da noite, mas percebi que se o Original fosse mesmo uma quase realeza eu estaria como que madrugando em seus aposentos. 

Feliz por meu raciocínio ter se dado em tempo hábil me dirigi ao bar do hotel onde me serviria de alguns petiscos e tomaria algo até a noite avançar um pouco mais. Me sentei a uma mesa de canto e não liguei o pequeno abajur me reservando ao direito de observar com certa discrição as figuras que no ambiente se encontravam. 

Logo vi dois ou três casais, um deles se engraçando e praticamente dando início ao coito na mesa, um grupo de três orientais que havia pontualmente chego para a reunião e para os quais eu fiz um ligeiro aceno dispensando qualquer convite para me juntar a eles, um senhor de idade avançada arrancando com um cortador a ponta de um charuto cubano e ... uma jovem com trajes usuais mas que lhe conferiam uma silhueta bastante chamativa. Apenas seu rosto perfilado era o suficiente para desviar minha atenção dos demais e finalmente sendo atendido pelo garçom fiz meu pedido entre um e outro olhar inadvertidamente dirigido a ela. Também pudera, era uma das poucas mulheres presentes e a única que parecia estar sozinha... ou a espera de alguém.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Qua 30 Dez 2015 - 21:34

Ao entrar no restaurante, pude notar que o mesmo ainda estava por encher; Sem cerimônia me dirigi ao balcão do bar, bem rústico de madeira provavelmente estaria ali desde que o hotel existia entalhado por grandes artesões de alguns séculos passado;  As banquetas também não deixavam passar desapercebidas, da mesma madeira com o acento em couro vermelho, sem encosto, perfeitas para se debruçar no longo balcão.
 
Sentei encarando as milhares de garrafas, umas mais baratas e outras dignas de reis! O barman não me deixou esperando muito, até porque o trabalho parecia escasso, com olhos verdes e os cabelos escondidos atrás da bandana, vestes sociais pretas; Quem as desenhou esperava que os funcionários parecessem sombras, mas esqueceu que os traços de cada um chamam mais atenção que as próprias roupas.
 
Com um sorriso tímido nos lábios pedia a carta de vinhos, mas me interessei mais pelo SunRise, mesmo que o gosto forte e doce era um dos meus favoritos , gosto mesmo de observar a cor que ele tinha... A mistura inicial dos líquidos dava um ar de por do sol, este a quanto tempo não podia desfrutar? Com um longo suspiro tomava o primeiro gole.
 
De inicio veio um homem se sentar ao meu lado, nada de especial... Alto, barba por fazer, olhos escuros e vestes auto-esporte; Inicio tudo com um ar de sedução e bastou um sorriso ele começou a falar, sobre seu mundo... Os carros, empresas, como foi que começou a ganhar rios de dinheiros! Coisas que eu pouco me importava! Porque diabos ele resolveu que eu seria sua vitima da noite?!
 

- O senhor terá que me desculpar... – Sorria segurando meu Drink – Terás que arrumar outra boneca – Sem mais começava a andar, finalmente achando quem me fuzilava pelas costas; mesmo no escuro podia ver seus olhos azuis, parecia sozinho e não se incomodava com isso; Com um leve aceno com o copo, deixava explicito que sabia  da admiração. Sentava duas mesas distantes da dele, apoiando os cotovelos na mesa e deixando o copo entre as mãos; Não tenho tempo para namoricos, ou galanteios; Logo teria que descobrir o que diabos Leonard quer com um original e melhor ainda, o que eu tinha haver com aquilo? Desde incidente em Sussex que ele não para de me incomodar, como eu posso saber o que um guarda do castelo queria com aquela caça inútil?! E logo o copo se esvaziava, mas relaxar era a ultima coisa que eu não conseguia.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Sab 2 Jan 2016 - 1:33

Quando ainda era humano eu conhecia os mais variados tipos de pessoas. Nunca fora cobrado que eu escondesse minhas opiniões ou mesmo flertes. Claro que ocasionalmente tinha que ser altivo e respeitável, especialmente quando alguma esposa de acionista trinta anos mais nova e com "carroceria customizada" sinalizava em busca de alguma emoção. Afora isso na maior parte do tempo eu podia estar ou ficar com quem bem entendesse. Isso não havia mudado em minha nova condição. 

A moça que, pouco depois não era mais a única aparentemente livre no ambiente, havia se mudado de cadeira e agora ocupava uma mesa mais próxima de mim. Um grupo de garotas, com cachecóis festivos multicoloridos, havia entrado chamando a atenção de todos os presentes. Aparentemente um grupo de estudantes ou amigas numa despedia de solteira. 

Mesmo com o canto de olho vi que se cutucavam, sorriam e insinuavam algo e achei engraçado como se sentaram próximas e pareciam bem dispostas. Seus perfumes e aromas naturais se misturavam, algumas andavam mais trôpegas e apresentavam maior rubor nas maçãs do rosto, tinham maquiagem borrada, fala afetada e uma delas até carregava uma garrafa de Chandon de seis  litros provavelmente vazia ou por acabar.

De qualquer modo o grupo de amigas parecia se mover num ritmo mais lento, grosseiro e vulgar do que aquela que ganhara minha atenção. Mesmo quando simulara uma falsa simpatia - estava nítido que ela não buscava companhia ou se candidatasse a coitos superficiais, sendo eles remunerados ou não - seus movimentos eram graciosos, dotados de convicção e segurança. Eu ri por dentro quando ela se desfez do cara pouco antes deste ficar sozinho no balcão com uma feição de quem havia derrapado na curva mas estava feliz por não ter sua inaptidão registrada em close pela mídia. 

Pouco depois ele se juntava ao grupinho das plumas sintéticas sem nenhuma cerimônia.
E eu continuava a gastar meu tempo observando a paisagem nada promissora, no entanto, altamente recreativa.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Sab 2 Jan 2016 - 3:49

Era questão de tempo até que o salão do restaurante ficasse abarrotado de pessoas, festivas ou apenas em busca de suprir sua necessidade por alimento; Os gritos vindos do grupo de garotas me irritavam com tamanha facilidade que eu desejava que as portas de madeira e vidro trancadas atrás das cortinas cor de champanhe abrissem como um passe de mágica e eu pudesse desfrutar do silencio de um grandioso e luxuoso salão de festas; Mas isto não iria acontecer.
 
Mergulhada até o pescoço por problemas, nem uma bebida a base de tequila podia me relaxar; Busco algo mais forte ou uma distração melhor? Neste momento pude fixar o olhar no homem sentado na mesa do fundo; Outro “peixe grande” naquele aquário, se bem me lembro aquele hotel seria teatro de uma reunião; Homens tão poderosos podiam ser feitos de fantoches demasiadamente fáceis, sempre pessoas vazias.
 
Quando dei por mim, já parava enfrente a mesa do homem de olhos azuis – Fiquei me perguntando quanto tempo levaria para me oferecer uma bebida... – Digo colocando meu copo vazio encima da mesa, um sorriso nasceu dos meus lábios escarlates, delicado e travesso – Ou será que um homem como você que está mais interessado em um grupo de garotas histéricas? – Minha voz era baixa e tranqüila, fitando o mesmo.
 
Mal terminei de falar e outro grito vinha do grupo, festejando outra conquista em seu joguinho antes do casamento, suficientemente alto para me fazer ranger os dentes – Eu tenho que sair daqui... Antes que mate alguém – Terminava a frase quase aos sussurros, terminando com um suspiro; Recompondo minha postura – Me acompanhas ou alguém como você tem medo de sair à noite? Nela seus piores pesadelos podem se tornar realidade – Se parasse para pensar, minha aparência jovem não representava um décimo do perigo que habitada em mim; Neste momento acabei rindo caminhando para a saída em passos decididos e firmes, sem esperar uma resposta; O desafio estava lançado, se ele não servir como uma diversão, arrumaria outro.
 

Ninguém no caminho ousava me parar, bastava um olhar nada amigável para o que instintos primitivos aflorassem e se afastavam; Estou cansada do ambiente climatizado do hotel, tanto que pude respirar melhor só de atravessar a porta giratória de vidro com detalhes em dourado, sentindo a caricia da brisa noturna na pele, o barulho dos carros e as pessoas andando de um lado para outro era totalmente diferente do lado de dentro; O manto estrelado se estendia encima da cidade, anunciava um noite sem chuva e agradável, perfeita para um passeio noturno, não me surpreendia com os casais apaixonados andando de braços e mãos dadas. Como é bom estar vivo e apaixonado...  Mas ainda sim, minha imortalidade era minha maior diversão.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 3 Jan 2016 - 21:20

Inesperada. A aproximação daquela garota de lábios convidativos havia se dado de modo tão autêntico quanto inusitado.

Fixei meu olhar em seu rosto mas meu nariz viajava capturando o aroma de seus cabelos, o perfume natural de sua pele e as notas do drink ela ainda tomara. Eu gostava mais da versão Barbados que coroava o Sunrise com Blue Curaçao e oferecia um equilíbrio perfeito ao coquetel. 

Ela fora direta, não se afastara como quem fugia e antes de deixar o recinto lançara um desafio. Um dos meus grandes interesses sempre foi a literatura e apesar daquela jovem não possuir qualquer traço turco eu sempre imaginava Helena, a esposa de Menelau, daquele modo. Se Páris tinha ou não feito um trato com Afrodite não importava, o fato é que se alguém setecentos anos antes uma mulher fosse mesmo uma boa desculpa para começar qualquer guerra ela deveria obrigatoriamente deveria ter aparência. Homero, o poeta, se vivo estivesse certamente concordaria comigo. 

Percebi uma certa impaciência de sua parte e antes mesmo que eu pudesse dar meia resposta a vi contornando obstáculos sem dificuldade. Seu objetivo evidentemente era a rua e para lá mais cedo ou mais tarde eu também deveria me dirigir. Que fosse. 

Acenei para o bartender que já me reconhecia ao longe e sinalizava que estava encerrando meu consumo ali por hora. Vantagens de ser um hóspede dos mais influentes. 

Nem havia completado uma sequência de passos quando tive que manter a simpatia para evitar perder uma boquinha caso tudo mais naquela noite saísse errado. Uma das moçoilas se prostou diante de mim com rosto estava suado e exibindo pontos brilhantes da maquiagem por todo ele, seus olhos um pouco perdidos e baixos tentavam encontrar os meus enquanto a voz arrastada a envergonhava. Ao menos deveria. 

- Não acredito que você já vai… - ela esticou a ponta do cachecol festivo pink e o passou pela lateral do meu rosto um pouco desajeitada demais para cumprir seu objetivo.  

Então deu um passo a frente e parecia abrir a boca para me beijar, ou mesmo vomitar, quando dei um passo lateral e saí de sua linha de tiro, segurando seu pulso e afastando a mão do meu queixo. 

- Por pouco tempo senhorita. Se tiver um pouco de paciência sua hora de se divertir de verdade chegará… espere por mim - sustentei o olhar até que a mensagem fosse recebida e a ordem registrada. As bêbadas não são a dieta ideal mas oferecem facilidades que podem ser muito úteis de acordo com a necessidade. 

Quando tive a certeza de que a mensagem havia sido plantada com sucesso escorreguei as costas da minha mão em seu ombro e dei uma piscadela rápida retomando minha caminhada a seguir. Um coro nada celestial vibrou atrás de mim e eu pude ver o sorriso borrado daquela bolsa de sangue ambulante aumentar ao mesmo tempo em que parecia perder o equilíbrio motivada pelo meu simples toque. Foi a deixa de que eu precisava para uma saída tranquila e notada. Intimamente não gostaria de rever nenhuma daquelas coitadas novamente, no entanto, a nova vida me ensinara a nunca descartar uma possibilidade.  Ainda que ela não sustentasse mais do que um simples snack. 

Instantes depois era minha vez de atravessar a porta giratória e finalmente ser saudado pela noite. Era difícil me contentar com aquela hábito mesmo quatro anos depois. Acordar na madrugada e sair para correr no parque ou praticar qualquer esporte ao ar livre antes do sol esquentar demais era minha rotina quase diária. Agora nada daquilo parecia indispensável especialmente para manter a forma física. Não que eu estivesse reclamando. 

- Não deveríamos perder tempo falando de alguém como eu quando temos alguém tal qual você entre as opções. E acredito que não preciso responder nenhuma questão sobre meu tipo ou temor quanto a circular com desconhecidas pela cidade … uma vez que já me encontro aqui - falei em bom tom assim que a distância me permitia ser ouvido sem me aproximar demais. 

Uma mulher com tal comportamento dava muitos sinais, não apenas corporais, para o sexo oposto e em especial os tidos conquistadores. A bajulação lhe era repulsiva, gostava de estar no comando e de certo não estava ali apenas matando o tempo. Mesmo uma futilidade como uma bebida num bar de hotel podia ser apenas um ensaio para o por vir. E não era da minha natureza lutar para conquistar quem quer que fosse, especialmente agora. 

Tive a delicadeza de não olhar para o celular a fim de ver o horário, mas encarando a silhueta dela era possível discernir ao fundo um anúncio digital do refrigerante universal cujo relógio marcava 7:45 pm.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Dom 3 Jan 2016 - 23:01

Se eu não possuísse uma bela audição, já teria ido embora sem esperar; Por algum motivo ele queria ter uma oportunidade para depois, talvez não se sentisse confiável o bastante para ter uma chance comigo? Eu ficaria surpresa se ele voltasse com vida ou com as memórias desta adorável noite.
 
A voz dele era calma e baixa, mas estava ciente que não nos encontrávamos em um local controlado, as buzinas, sirenes, até mesmo o simples falar das pessoas se sobrepunha sobre outros sons; Aquela era uma selva de pedras, milhões de vitimas para seres como eu e eu havia escolhido uma opção no grande aquário que era o hotel.
 
Não precisei olhar diretamente para ele, para saber que me observava, reparava em cada curva do meu corpo enquanto eu admirava as cintilantes estrelas – Destemido... Ou tolo? – Me virei em busca do olhar azulado que me caçava, me sorriso tímido continuava em meus lábios.
 
Encurtei drasticamente a distancia entre nós com movimentos calmos e lentos; Notei agora que ele é bem mais alto que eu, inclinando o rosto para admirar seu rosto; Seu perfume amadeirado e suave era como caricias para meu olfato apurado – Existe um bar a três quadras daqui... E uma praça a duas... Desejas ir para onde, meu adorável senhor? – Fiz uma leve reverencia como se estivesse aos serviços dele e não o contrario.
 

- Deseja que eu chame um carro, senhor? –Quase me assustei quando o porteiro falou, desviando o olhar para o homem de preto e luvas brancas – Uhn.. Não... Obrigada! – Resmunguei puxando meu acompanhante pela mão; olhei de relance para seu peito, esperando escutar a batidas mais fortes, provocadas pelo meu toque, mas logo desfiz o sorriso olhando-o com interrogação, tinha algo errado – Desculpe, não me apresentei... Sophia... E o senhor? 
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Dom 3 Jan 2016 - 23:31

Medi aquele rosto delicado e tive um vislumbre do quão fantástica poderia ser aquela próxima hora. Me vi num ambiente mais escuro e reservado alçando uma de suas pernas buscando recostar-me em seu baixo ventre enquanto ouvia seus suspiros até um deles morrer com um gemido rouco quando eu cravasse minhas presas. 

Uma outra realidade pregava em minha mente a cena de um namorado ciumento encostando para tirar satisfações. Havia ainda aquela em que o tal namorado fingia faze-lo até que ambos terminassem me empurrando para dentro de um furgão numa tentativa de sequestro que terminaria frustrada graças a pequenas particularidades da minha nova existência. Sempre preferi filmes de ação e isso aflorava mesmo nos meus mais rápidos devaneios.

Ou poderia dar mesmo em nada já que eu ainda tinha algo a fazer e não ficaria - como meu pai dizia - correndo atrás de rabo de saia. 

O instante terminou e me deparei com a figura angelical, cujos lábios pareciam pura perdição, mais próxima do que eu ousaria chegar. Ainda era cedo. Abaixei a cabeça e apertei o meu queixo alisando e escolhendo a melhor resposta para o momento.

- Destemido que sou prefiro caminhar sem destino certo. E igualmente tolo ouso pedir que não me chame mais de senhor. 

Notei que ela perdera o ritmo logo após a breve interrupção e com certa reserva me questionou. Preferi dar-me ao luxo de tentar reaver o clima que havia ao menos em minha mente.

- Me chame de Páris e farei muito gosto em admirar-te como Helena. De um jeito ou de outro Tróia terminará em chamas mesmo... - iniciei uma contagem muda sentindo o toque macio de sua mão enfraquecendo e tive a certeza de que ele acabaria em três ou quatro segundos. Corri os olhos ao redor e imaginei que talvez ela tivesse fisgado o executivo errado e já me preparei para uma despedida abrupta e aparentemente sem sentido. Ao menos era uma criminosa e tanto, nem ao menos transpirava ou parecia ansiosa enquanto cumpria seu papel.

Melhor assim. Dessa forma eu continuaria cuidando do que devia de fato ser minha maior preocupação pelos próximos dias.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 0:00

Nada me parecia correto naquela hora; Meus instintos estavam adormecidos e ele parecia como um rapaz normal, porque não se exaltou quando o toquei? Precisaria mais que isto para aflorar uma agitação naquele coração de pedra?
 
Quase com o orgulho ferido me via em um desafio, ou arrancaria alguma reação dele, ou arrancaria seu coração; Seus olhos corriam ao redor, como ele tinha audácia de fazer isto? Apertei sua mão em um instinto de chamar a atenção, puxando para perto a ponto de sentir minha respiração – Então Paris... Serei sua Helena está noite! - Com os lábios entre abertos, desejava desbravar os deles apenas para reaver meu orgulho, mas ainda era cedo, se eu desejasse já o teria aos meus pés, mas era mais divertido o jogo da sedução.
 
- Andamos sem rumo então... – Com um ultimo olhar tão próximo fitava seus lábios, escondidos pela barba por fazer, para um humano ele se controlava muito bem, até quando?
 
Caminhando lado a lado de mãos dadas, me perguntando qual seria o fim que daria a Paris; Talvez em um beco escuro, enquanto ele desbrava meu corpo e procura saciar seus prazeres mais primitivos, enquanto sinto seu ardor másculo cravo minhas presas suprindo dois prazeres ao mesmo tempo? Ou simplesmente quando ele começar a perder a paciência e me tratar como uma garota da vida? O trajeto que importava, pois o fim estava decidido no momento que ele me seguiu.
 

- Então você gosta de historia... – Observando-o de canto de olho, silencio não era algo que me agradava, pelo menos não quando estava acompanhada – Alem disto gosta de esconder a identidade, mas algo me diz que se eu colocar uma foto sua na internet, descobrirei até seu tipo sanguíneo... – Uma pequena risada escapava dos meus lábios – Estou errada? 
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 0:18

O que aconteceu naquele instante até agora não sei. 

Ela parecia novamente decidida e impaciente. E embora me fosse impossível evitar acreditar que eu era apenas um joguete resolvi deixar que aquilo fluísse. Quando ela se aproximava e afastava seu cheiro ficava ainda mais forte e eu naturalmente estreitava os olhos, ainda era um tanto inseguro e por vezes tinha receio de acabar me empolgando e criando um minicaos que seria difícil de domar sem alguma dose de violência. Eu disse que gostava de filmes de ação, não de constrangimento ou atenção desnecessária. 

Eu gostava de ver como ela guiava nosso diálogo. Enquanto caminhávamos meus instintos me obrigavam a estar consciente de tudo e mesmo perante o tráfego intenso, conversas paralelas, chiados e apitos, risadas e frenagens eu ouvia o coração dela praticamente impassível, assim como sua respiração. Não chegava a me intrigar, mas era um diferencial notável. 

E eu estava ficando sem opções para criar um perfil que normalmente mantinha na memória quando terminava a refeição. Ainda não sabia categoriza-la. Não parecia uma devassa, lunática ou mesmo socialite. Tinha porte e autocontrole invejável.

E desde quando aquilo virara um jogo de advinhação ? 

- Sim. Gosto de relatos históricos e ultimamente tenho sido fisgado por ficção e algumas biografias. Quanto ao mistério ele não deveria assustar uma moça tão autosuficiente que na mesma frase me convidou e ameaçou com uma alegoria sombria sobre os perigos noturnos. Quer saber meu nome ? Não me importo em dizer: sou Joshua Ford. Joshua Edmond Ford, como quis minha mãe. Não imagino que faça parte do seu círculo de interesses, portanto, pode pesquisar o quanto quiser senhorita Sophia. 
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 0:45

Finalmente ele perdia aquele ar de auto suficiente, perder o equilíbrio perfeito – Joshua Ford?-Aquela não era uma vitoria muito saborosa, afinal, a morte de um grande milionário naquela noite iria repercutir pela imprensa internacional e certamente escutaria de Leonard mais tarde, mas quem se importava? Sangue era sangue... E hoje em dia não existia mais os sangues nobres como antigamente.
 
Lembro-me como no passado, era fácil distinguir a nobreza do resto apenas em observar suas belas vestimentas, sua educação, seu conhecimento; Hoje qualquer imbecil pode ter um porte formidável, mais fácil ainda é se misturar e se enganar; Imagino que recitar todos o nome deve inflamar o ego do meu acompanhante, como será que as jovens como aquelas histéricas do hotel reagiriam?
 
Pular em seu pescoço e se entregar de corpo e alma para alguém que é herdeiro de uma fortuna? Como se alguém que não seja quase perfeita, escolhia a dedo fosse capaz de ser a esposa de um sobre nome como aquele. As pessoas são patéticas, como dinheiro pudesse vencer a morte rs.
 
- Dinheiro e fama são coisas que eu fujo... – Meu tom continuava calmo, enquanto virávamos uma esquina, fugindo das luzes vibrantes da rua principal – Já conheci muitos tipos de pessoas, mais que você possa imaginar! Vocês se vestem com mascaras para esconder quem são... Por isto mesmo, está noite você será Paris e eu Helena... O que acha? – Pela primeira vez aquela noite, o sorriso não habitava mais lábios, mas uma pequena preocupação, como se realmente esperasse que ele entrasse na brincadeira.
 

- Mas sobre as alegorias sombrias... Quem sabe... – Digo entrelaçando meu braço no dele, fazendo-o sentir mais do meu volumoso corpo – eu não seja seu maior desejo e pior pesadelo? – Meu sorriso fluía, agora mais sarcástico e travesso que o normal, apertava seu braço contra o corpo; Até quando esse auto controle dele iria falar mais alto?
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 1:05

- Não é como se eu estivesse em Detroit e por conta disso não conseguisse andar sem ser interrompido ou acenar a cada dois minutos. Dinheiro e fama são recursos do qual alguns podem se valer, doce Helena. Uma gazela não balbucia que foi desfavorecida, que a cadeia alimentar é uma merda e injusta sua posição. Na minha concepção cada um faz o que tem que fazer e se não o fizer... acaba faminto ou morto. Diferente daquele bufão que a abordou no hotel não estou aqui contando cifras. Acaso estou ? 

Eu percebi assim que as pontas de nossos pés terminaram se distanciando daquilo que seria uma rota segura. Era agora evidente que ela buscava me distrair com alfinetadas e se insinuar com presença física. Ela definitivamente tinha planos aos quais eu provavelmente não iria sucumbir. Me estaquei por alguns segundos e cruzei os braços, desfazendo o entrelaçamento de nossos membros superiores. 

- Eu consigo enxergar apenas um bom motivo para que você não seja nenhuma coisa e nem outra. Mas não se culpe, está muito acima de você ou de mim. Agora me diga o que pretende e quem sabe não saímos os dois satisfeitos deste pequeno passeio. Ao contrário dos mascarados que você insiste em citar eu sou tão transparente quanto posso, admito que você me encanta e apenas por este motivo me encontro aqui ouvindo suas palavras jocosas quanto a quem eu devo ser ou representar... Acho que faltou falar de você... 
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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 1:23

Por um instante pensei estar perdendo o controle, como ele se afastava de uma dama quando ela se insinuava para cima dele; Agora que revelou seu nome, começava a agir como tal, uma vez que se afastou do meu corpo e cruzou os braços;
 
Indagou coisas a respeito de quem ele era e o que eu deveria pensar a respeito dele, serio isso? Não vivi por 400 anos para escutar sermão de uma criança; Respirei fundo colocando a mão nos rasos bolsos da calça Jean, olhando para ele que falava, falava... Até finalmente chegar onde ele queria... Sophia Hills.
 
Respirei fundo, como posso começar? Sou filha de um caçador e minha família vivia nas redondezas de uma floresta... Ah sim claro! Quando eu tinha 20 anos fui mordida por um vampiro, este completo babaca não me ensinou muito como agir em um mundo controlado por homens cruéis... Daí então vivo como posso! Sim conheço mais da historia deste pais do que os próprios livros de historia, que não contam muito a verdade... Nunca esquecendo que eu tenho essa aparência jovial há quase 450 anos!
 
- falar sobre mim? – Minha expressão estava pensativa, certamente falar a verdade estava fora de questão – Saiba que se colocar meu nome, meu DNA ou minha foto no Google... Você não encontrará nada... Mas não se preocupe... Não pretendo te sequestrar nem nada, Afinal acabei descobrindo que o homem que eu pretendia me divertir a noite inteira e dizer “Tchau” ao raiar do dia e nunca mais olhar na cara, é nada mais nada menos que o herdeiro de uma grande fortuna... Então se este fato te incomoda tanto... Acho melhor voltarmos ao hotel! – Me virei já caminhando levemente irritada, estávamos nos distanciando dos olhares alheios, perder o controle da situação daquela forma não era algo que eu me orgulharia;
 

Meu sangue fervia e minhas mãos estavam ansiosas para acabar com a miserável vida daquele homem, basta ele querer voltar e eu pularia sem nenhum prazer a etapa divertida da historia.
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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 1:40

- Quem parece de fato incomodada com algo, e eu posso deduzir não ser apenas de agora, é você Lady Helena. Ou Sophia, se preferir. Sinto que nossa conversa tenha chegado perto de ser um incômodo. Eu poderia jurar que carrega consigo uma fúria que aumenta a cada dia. E nada de bom pode surgir disso... 

Eu me senti o mais babaca dos gurus da autoajuda, mas era realmente aquilo no qual eu acreditava. Eu a via se afetar, indgnar e afastar. Não desejava de fato que fosse assim e não por conta de sua palavra (cujo peso eu desconhecia) e sim por suas reações ficou claro que ela não era uma golpista. Ao menos não do tipo que eu havia conhecido.

- Não odeio as deslumbradas Sophia, tampouco as hipsters. Ser herdeiro ou não de qualquer coisa não é o que me torna melhor do que alguém, mas sim quem eu escolho ser. Que tal fingir que eu sou um caixa bancário que estará naquela agência da Rabobank pela qual passamos há poucos minutos lá pelas nove da manhã pra receber um dos seus depósitos ? Isso me tornaria apto a continuar desfrutando da sua companhia ? 

Não me movi e fiquei observando-a se distanciar enquanto eu ainda falava. Cinco pra um que da forma que aquele encontro ia eu seguiria para meu compromisso sem jantar
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Joshua Ford
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Re: Amsterdã

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