Amsterdã

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 1:57

Ele me colocou contra a parede e agora pede para eu ficar? Para tudo que eu quero descer! Estaquei no lugar olhando para o nada na minha frente, controlando a respiração e a raiva que havia subido a minha cabeça; Fazia anos que eu me controlava e perder o controle daquela forma me dava asco.
 
- Para um livro de auto ajuda você da um ótimo caixa... – Resmungo me virando e ajeitando a jaqueta; Porque eu me sentia culpada? Quem desfez o entrelaço entre os braços, mas acredito que mais do que nunca, iria me deliciar quando minhas presas estiverem na garganta dele.
 

- Então me diga senhor bancário... Onde levaria esta adorável garota em uma noite tão bonita? – totalmente de frente para ele apenas quatro ou cinco metros nos separavam, ele precisaria mais que um pedido para ganhar minha doçura novamente; Mas quem eu queria enganar? Minha mente girava em torno da primeira minha primeira imaginação, agora sabendo que ele era alguém de alto nível e exigente, só o tornava mais insaciável e desejável; Quantas mocinhas da alta-sociedade o deixaram chupando dedo enquanto adormeciam com uma fera ainda agitada do lado?

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 2:48

- Com um salário privado não creio que possa lhe oferecer algo além de uma porção de fritas com maionese... - era o prato mais simples e barato que eu podia pensar naquele instante - Por quê não tomamos um choque de realidade e admitimos que uma boa cerveja num lugar sossegado seria o suficiente para recomeçarmos ? Algo rápido para não dar tempo dos seus ânimos se elevarem. Então você me compensará pelas fritas e bebida com seu número de telefone para podermos marcar um jantar que pode terminar no seu quarto... ou no meu.

Speranza nada diria, mas de certo qualquer outro vampiro me desprezaria diante daquela trégua dada. Era complexo admitir, contudo, existia uma porção minha - e não era a sede - que relutava em avançar contra aquela figura resoluta e miúda e rasgar sua carne para sugar e desaparecer. Eu  não sentia prazer quando me tornava um ladrão de vitalidade, meu prazer estava em sorver o precioso vitae quando este me era ofertado e ao encarar aquelas pernas me via entre as coxas, provavelmente bem alvas, causando frisson e sentindo minhas artérias pulsando em uníssono com as dela. 

- Se ainda preferir ir embora pode ser sua oportunidade de se livrar dos meus pensamentos nada bem intencionados... escolha sabiamente Sophia. 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 3:04

Joshua era esperto, tentava driblar meu mau humor com ofertas tentadoras e cômicas; “Fritas com maionese”? – Serio? Um bancário não ganha tão mau assim! Mesmo um caixa poderia me pagar um Chopp no bar que eu estava te levando a duas quadras daqui!
 
Dizia com um ar mais calmo e doce, voltando a sorrir; Entrando no jogo novamente. Voltava a andar, desta vez de volta ao homem; Porem não o tocava fazia sinal para continuar andando; Queria meu numero, o mesmo mudava constantemente, acredito que nenhum humano conseguiria decorar tantas trocas de numero e aparelho, tais vitimas da minha raiva com Leonard.
 

- Então, Josh... Posso lhe chamar assim? – Sem me importar com a resposta continuava – Como é ser um caixa em um banco? – Dizia brincando; Tecnicamente não estava levando-o para um bar, mas sim uma boate... Com as ferramentas certas, arrumaria uma peça privada e assim ele seria uma presa fácil – Você está agora com medo de mim ou não tem tempo para um “jantar” hoje? – Qualquer tapado entenderia que eu não falava de comida, ainda mais com meu sorriso nada travesso e olhar sedutor.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 13:46

- Amsterdam é um lugar ótimo. Cheio de vida e muita mulher bonita. Se para cada uma que o bancário flertar oferecer um chopp tenho certeza que ele precisaria de adiantamentos semanais - no meu devaneio começava a me imaginar numa função dessa. Não se tratava de ser menos nobre, cafona ou vassala demais e sim guiada pela oferta e procura. Quanto maior o número de pessoas capazes de desenvolver um trabalho, na maioria dos países, pior era sua escala na valorização de serviços. 


- A princípio Josh está muito bom Sophia, mas não se prenda ao sentir necessidade de algo mais intimista após nossa bebida - Notei que agora era ela quem dava corda ao teatro e enquanto caminhava ao seu lado, me mantendo a margem da calçada embarquei na peça - Existem dias bons e ruins, como em toda profissão. Os bons acontecem quando o gerente sai para alguma reunião com regional ou fica de licença. Nesse até encontros furtivos costumam a acontecer em salas privadas, não que eu seja desses... Nos ruins temos inconsistências contábeis que logo descobrimos ser desvios, tentativas de assalto, dia do pagamento da previdência ou retorno de feriados nacionais. Alguns idosos cheiram a urina, outros parecem mergulhar num balde de talco antes de entrar na agência. Há putas e madames, encanadores e políticos, brancos, negros, pardos e mestiços... mas poucas bonecas de porcelana como você... 

Os carros que vinham em sentido contrário iluminavam Sophia que se mantivera distante, sem qualquer manifestação de intimidade e caminhando ao meu lado como se bons colegas de trabalho algum dia tivéssemos sido. Mesmo quando sorria algo me dizia que era uma faceta que ela facilmente utilizava ainda que estivesse entediada. Não para qualquer um e nem mesmo em todo lugar, mas era evidente que entre nós havia algo etéreo mas marcante o suficiente para que não fosse desfeita a conexão e cada um seguisse seu caminho. 

Era evidente que meu corpo morto dava por falta do alimento, consumido pela última vez na noite anterior, mas não era como se ela estivesse esfregando sua carótida no meu rosto, gotejando sangue no meu colo ou por conta de raiva despertasse a criatura incontrolável que eu podia me tornar. 

- Medo... medo chego a ter de que acabe a noite e eu não tenha chegado a estudar nenhum dos teus mistérios. Seria gratificante encerrar as atividades desta noite após uma refeição onde a sobremesa deslizaria por lençóis frios e seu nectar empregnaria todo meu corpo - neste momento eu buscava seus olhos e falava com seriedade deixando nítido meu interesse. 


- O único problema é que não sou muito bom em lidar com o abandono... não quando ele parte de outra parte. Ainda que me dissesse estar de plantão amanhã e comprometida a salvar a vida de toda uma UTI neonatal eu sentiria pesar em não lhe agradecer pela noite e pegar um número para o qual provavelmente jamais ligaria. Jamais ligaria pois saberia que mesmo escrito na mais bela letra cursiva ele dificilmente pertenceria a você. 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 16:57

Seus olhos buscavam os meus, como uma caça buscava sua vitima; Mas neste caso caça e caçador se misturavam tanto que por vezes dificilmente sabia dizer de quem era o controle. Josh era difícil de controlar, porem deixou seu objetivo muito bem informado, um que em meu ápice de humanidade estava me deliciando.
 
Talvez devesse transformá-lo e assim continuar com suas brincadeiras pela eternidade, certamente ele nunca me entediaria, com um passo atrás do outro voltava para perto dele; Novamente podia admirar seu olhar azulado de perto; Já podia escutar o barulho vindo da boate e a pequena agitação vinda da entrada; Era uma festa restrita, por isto era difícil entrar sem ter nome na lista... Isso caso você fosse humano! Com um truque ou outro, eu entrava pela entrada principal e ninguém iria me parar.
 
- Sinto informar, mas passo longe de ser uma heroína que salva bebes recém nascidos das garras da morte... Trabalho muito honrado por sinal! E meu numero certamente é algo difícil de conseguir, uma vez que troca constantemente... Não gosto de me apegar a coisas materiais... Se é que você me entende – Digo com uma piscadela de olho -  Mas também não quer dizer que seja a ultima vez que nos vemos... Você é uma pessoa fácil de achar, quando eu quiser te achar, será fácil! Então não veja como um abandono - Subia o braço dele com leves toques, pouco ele poderia sentir por causa do terno, mas logo meu braço estava enroscado com o dele – Apenas uma separação momentânea... Mas não vamos pensar no fim ainda, temos bastante tempo para aproveitar... A noite é uma criança!
 

Apressava um pouco o passo, aquele joguinho de provocações verbais estava bom, mas alguém como eu, não se satisfaz apenas com palavras; Sou apaixonada por ações, toques, gestos... Desta vez queria vê-lo perder o controle da situação – Já esteve em festas como está não é mesmo? 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 17:27

- Absolutamente. O que seria do mundo sem bebês ? Todo aquele choro, malemolência e fome... isso sem falar das fraldas... hm! - eu dava a entonação cômica necessária para reproduzir toda a "alegria" em encarar fraldas - Incrível como você salta de um assunto para o outro com sutileza tal que eu quase me esqueço o quanto é boa em se esquivar das respostas. Continuo sem saber como ganha a vida, mas isso não vai abalar nossa amizade - pela primeira vez cobri a mão dela com a minha e embora não fosse muito mais delicada e miúda do que eu esperava terminava quase envolvida por completo pelo meu ligeiro aperto.

- Quando você quiser ? Claro, quando você quiser e se eu estiver disponível minha Helena. Onde iria parar minha dignidade troiana se atendesse tão prontamente ao seu chamado ? - O zumbido do recinto ao longe eu já sentia, até mesmo a vibração da construção que numa pista deveria conter centenas de pés dançantes e cada um ao seu estilo tentando acompanhar a batida enérgica e alucinante. Então ela era seletiva com relação aos agitos. Pisquei preguiçosamente e a fitei - Se sou ? Bem... digamos que você pode ter problemas em me dividir caso eu seja reconhecido, sou praticamente David Guetta, ao meu modo... - Atrasei um passo e nossa chegada até porta principal ao me posicionar atrás dela, puxei sua cintura de encontro a minha e esfregando meu nariz em seu pescoço concluí - Não devo demorar muito mais... 

Para quê é o que precisava ficar no ar.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 18:04

- Mudo de assunto para não me aprofundar e não te dizer nada mesmo... Alem de um rostinho bonito você também é muito perspicaz! – Me surpreendi quando senti seu toque em minha mão, pela primeira vez me tocava por querer, um gesto curioso que por certo momento esqueci-me do porque havia trazido ele ali. Estou ficando mole de mais...
 
Arquejei quando senti suas mãos em minha cintura, puxando-me para perto; O calor do corpo ao tocar o meu, sua respiração em meu pescoço; Isto estava mais para um encantamento que uma sedução. Segurei a respiração por alguns segundos, não entendia porque não se mexeu até o presente momento e agora corria contra o tempo.
 
Inclinei a cabeça para o lado, meu pescoço ficava totalmente a disposição de Josh, quem dirá que a posição contraria daria fim a ele, não sei se seria capaz de me segurar antes de enterrar minhas presas nas veias pulsantes do pescoço dele – Demorar? – Perguntei com expressão de curiosa, mas no fim não importava muito; Enquanto entrelaçava os dedos de uma das mãos e puxava para mais perto, desejando não soltar tão cedo.
 

A rua ainda estava escura, mesmo com a agitação enfrente a boate, um casal de namorados não chamaria a atenção mesmo que estivessem quase por completar o ato do coito; Humanos são tão desligados e egoístas que não vêem seu pior predador mesmo a alguns metros – Seus olhos escondem que você se segura Josh... Porque se entrega logo? 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 18:35

Momentos como aquele enrijeciam muito mais do que minha anatomia reprodutiva. Quando Sophia não tentou se desvencilhar e parecia oferecer uma porção maior de si para receber minha investida eu sentia minhas articulações se retesando e meu próprio maxilar parecia serrilhar. Ainda que eu não saísse feito um demônio mordendo qualquer coisa que se movesse sofria algumas consequências quando minha ansiedade se manifestava. 

- Para quem parece ter um par de olhos na nuca você não está me enxergando muito - colei minha boca em sua pele e com os lábios suprimidos suguei sem ferir. Eu permitia que apenas uma minúscula porção da minha língua a acariciasse pouco antes de voltar a falar - bem agora. Tenho um compromisso em breve, um inadiável, e tudo que fiz até agora foi postergar minha obrigação para estar aqui com você... 

Minha respiração de certo ecoava pelos ouvidos dela, meu estado quase meditativo havia evaporado e meu aperto em torno da cintura dela foi ficando mais forte. Isso de certo poderia gerar algum pânico ou desconforto se aquele encontro já não tivesse avançado bem mais de meia hora. Era inevitável que ela notasse minha virilidade e aquilo não era vexatório e tampouco inapropriado já eu podia jurar que por um breve momento Sophia havia prendido a respiração. 

A muralha podia ser instranponível por sua qualidade, mas muitos de seus pontos não resistiriam a ação do tempo. Tempo que eu tinha de sobra, não aquela noite... mas pelo restante da minha existência.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 19:49

Para alguém tão novo, ele sabia como provocar uma garota, as caricias úmidas em minha nuca  me provocavam arrepios deliciosos; Infelizmente tudo chegava ao fim, como um sofro de realidade ele queria ir sem que eu pudesse me aproveitar dele... Cruel.
 
- Então quer me abandonar já? – resmunguei em um tom infantil, me virando ainda nos braços dele, encarando-o perto o suficiente para sentir sua respiração agitada, minhas mãos deslizavam pelo tórax até o peito de Josh, por debaixo do terno, aninhando-me entre seus braços – Maldade sua Josh... – Aos sussurros falava ao pé do ouvido do homem, acariciando seu pescoço até agarrar sua nuca, com um pouco de força puxei para baixo deixando agora seu pescoço a mercê dos meus beijos;
 

Para minha surpresa e a sorte dele, por mais que minhas presas se destacassem, Maximo que eu fiz foi acariciar a pele do pescoço com meus lábios úmidos, pequenos beijos e mordiscadas sem machucar. Sua barba arranhava meu rosto até que seus lábios estivessem a milímetros dos meus – Te garanto que teu compromisso não lhe trará tanto prazer quanto meu corpo... – Enterrava meus dedos em seus cabelos bagunçando-os com pequenos apertos, não seria eu que deveria tomar a partida, afinal, quem queria fugir era ele.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 20:23

Assisti em slowmotion ela se virando enquanto parecia ronronar. Minhas pálpebras desceram ainda mais morosas enquanto sentia os dedos testarem a maciez da minha camisa e sei que meu corpo convidativo era mortalmente aconchegante. Vi o rosto dela recostar por um momento no meu peitoral e logo depois me puxava de encontro com firmeza até seu rosto para alcançar meu ouvido. 

Mais alguns minutos daquilo e eu sucumbiria ao desejo de toma-la por completo, ao que ela não parecia oferecer nenhuma resistência. 

- Foi você quem prometeu partir e retornar quando bem entendesse, não eu. Uma separação ligeira pode acender ainda mais seus ânimos e tornar essa barreira de espinhos um pouco menos aterrorizante de se atravessar... 

Inferno.
Eu sentia a pele pulsar onde ela tocava e o pouco de sanidade restante ia me abandonando aos poucos até o ponto em que a boca ficou tão próxima com seu hálito doce anuviando meus sentidos enquanto minhas entranhas pareciam dobrar de tamanho. 

- Eu estaria mentindo se dissesse que restaria qualquer dúvida minha quanto a isso... - minha voz saia como um sussurro e era minha vez de avançar com calma antes que perdesse a cabeça de uma vez. Segurei com vigor sua cintura delgada forçando as pontas dos dedos de encontro aos seus quadris e a ergui do chão, a rota calculada e concluída após três passos com ela suspensa terminava numa parede de tijolos crus e porosos. Minha força humana teria dado conta do recado, como fora centenas de vezes antes, mas agora que era um vampiro me sentia segurando algo pouco mais pesado que um manequim, só que encantadoramente mais belo - A questão é ... você realmente quer saber o que lhe aguarda doce Helena ? - apertei uma das minhas pernas entre suas coxas e estabeleci um ponto seguro de onde ela não passaria mesmo que minhas mãos afrouxassem o aperto para viajar por suas curvas. 

O som ao redor parecia inalterado e por alguns instantes eu desfiz o contato visual firmando o olhar em seu tórax que deveria responder de acordo e confirmar meu veredito quanto ao seu nível de entrega. Pouco depois meus polegares subiam por  suas costas até alcançar as vértebras mais baixas e fazer subir um tanto de sua blusa grafite providencialmente folgada.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Seg 4 Jan 2016 - 20:48

As provocações estavam dando deveras certo; Ele me queria, mas no fim não era apenas ele que tinha este desejo de possuir alguém. Suas caricias me roubavam o pouco de controle que eu ainda possuía; Como um humano conseguia fazer aquilo?
 
Não demorou para que eu perdesse o chão, literalmente! E sentir a parede de tijolos atrás, se ele não fizesse isto, eu o levaria de encontro a parede! Ainda sim, mantínhamos apenas a troca de olhares, nada de beijos; Enquanto me segurava no colo, começava a desbravar minhas costas, arrancando-me risadas quando me indagava sobre querer saber meu destino, algo que pouco me importava naquele momento;
 
 -Paris... Paris... O que me aguarda? – Dizia enquanto apertava minhas pernas contra a cintura dele, arquejando ao trazer ele para perto; Nada naquele momento poderia me surpreender! Mesmo que ele fosse um assassino, deixaria tudo mais interessante talvez? Rs o fato é que não me divertia desta forma a anos.
 

Ele me arrancava leves gemidos de prazer ao pé do ouvido cada vez que apertava com mais vontade certos lugares, minhas mãos completamente livres, percorriam seu corpo por debaixo do terno, até finalmente começar a abrir botão por botão – O que me escondes Paris? - Disse aos sussurros antes de morder meu próprio lábio.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Seg 4 Jan 2016 - 23:22

- Tudo que não pode ser revelado... e nada que lhe ofereça qualquer risco... agora chega de falar ... - era o que eu respondia quanto a sua última pergunta. Eu não queria e provavelmente não iria encerrar suas aventuras noturnas, uma garota daquelas devia ter o sangue enebriante e se eu queria ver seu corpo desfalecendo era de prazer e não pelo desligamento total.  

A hora de provar seu sabor já havia passado e incapaz de esperar um novo segundo que fosse avancei o rosto até encostar no dela. Vi minha figura refletida naqueles orbes fantásticos e tomei seus lábios entre os meus, movendo milimetricamente minha cabeça para o lado, buscando o canto de sua boca, mordiscando e puxando a pele sensível e descendo rumo seu pescoço. Não me detive ali por certo receio de cometer um erro fatal que poderia resultar em horas e muita conversa perdidas. 

Minhas mãos, em contrapartida, subiram até a região de suas costelas e prosseguiram pela altura do estômago até se deterem sobre uma tira rendada que compunha a peça superior de lingerie. Meus polegares desfilaram por aquele entrocamento e quase circundaram todo o volume, até finalmente se infiltrarem entre o tecido e a pele que protegia e sustentava alcançando a parte inferior de seu busto. 

Como se pré-acordado a mão direita continuou subindo percorrendo o vale de seus seios enquanto a esquerda desceu despretensiosa pelo quadril até repousar em sua nádega pouco antes de comprimi-la e ergue-la um pouco mais.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Ter 5 Jan 2016 - 0:09

Josh se deliciava a cada toque do meu corpo, arrepiando minha pele e arrancando leves gemidos que se fossem bem interpretados levaria a crer que estava no caminho correto.
 
Seu breve beijo só me deu mais vontade de sentir seu gosto, mas ele gostava de ser vago e intenso; Eu já estava lutando contra o quarto, quinto botão de sua camisa sedosa, descobrindo o corpo alva e másculo por debaixo daquela pose, apenas um homem selvagem; Arquejei quando tocou partes mais sensíveis dos meus seio.
 
Enterrava as mãos agora onde estava protegido pela camisa, arranhando levemente as costas dele, mas cravando as unhas quando senti o aperto mais firme da mão que buscava outros ares do meu corpo. Tinha que me controlar para não acabar fazendo besteira de morder aquele belo corpo que me desejava, às vezes até morder o lábio para me controlar – Vou acaba fazendo besteira se continuar me provocando... – Estava ofegante; Ali não era um lugar muito reservado, imagine só a noticia no jornal? “Herdeiro da Ford flagrado se aproveitando de uma jovem garota no meio da rua” rs.
 
Minha mão deslizava despindo os ombros dele, macios, cheirosos e bem desenhados; Dava leve chupões, percorrendo parte dele até o pescoço com a ponta da língua enquanto a outra empurrava o quadril deixando mais que evidente meu desejo pelo corpo que me sustinha na parede. 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Hannah McGraw em Ter 5 Jan 2016 - 5:47

A liberdade não consiste só
 em seguir a sua
 própria vontade,
 mas às vezes
 também em fugir dela.


          Minha cabeça latejava, sentia a raiva fluir junto com a adrenalina que percorria todo meu corpo; Única coisa que conseguia pensar era em me afastar, esfriar a cabeça e descontar minha raiva e frustração.
 
          Caminhei apressada até o estacionamento no fim da rua, o velho senhor que cuidava me acenava gentilmente de longe, lembro bem do dia em que ele começou a trabalhar aqui, seu cheiro evidenciava a doença que o matava lentamente por dentro, estava com câncer e logo teria seu fim, até lá trabalharia com orgulho; Como se eu não tivesse meus próprios problemas para me importar tanto com o dos outros. 
 
          Com uma perna de cada lado da moto que até o momento era minha única paixão; Kawasaki Ninja 300, meu xodó reluzia quando o sol tocava sua lataria preta com branca, seu ronco era musica para meus ouvidos e seu motor potente o suficiente para me manter livre daquela bagunça que virou minha vida.
 
          Dando a partida e já arrancava, lentamente até sair do estacionamento, como sempre escutava um “Cuide-se pequena” do senhor que cuidava do meu tesouro, respeitei rigorosamente as leis de transito enquanto estava na cidade, há uns oito anos perdi a cabeça e a licença da moto, fiquei seis longos meses sem minha válvula de escape, aprendi muito bem minha lição. 
 
          Já na estrada era outra historia, outras regras; Parei na saída da cidade, colocando os fones, agora não precisava me cuidar, ajustando na musica “Styles of Beyond - Nine Thou” no ultimo volume,com o capacete por cima, agora estava pronta para ser livre, nem que fosse por algumas horas;Forçando o motor cada vez mais, aquelas retas já não era suficientes para mim, deixava minha mente livre; Amsterdã não possuía montanhas ou grandes decidas, mas belas florestas e o cheiro de carvalho me fazia voltar ao passado, dias felizes que a única coisa que eu me preocupava era crescer e ganhar do meu irmão na corrida... Meu irmão, Caleb; Onde você está? E nosso pai? Não quero e não posso admitir que os dois tenham morrido naquele ataque a nossa família. Tenho que achar os culpados para saber onde vocês dois estão, será que sou a única que entende isto?
 
          Sentia que meu coração pudesse saltar do peito, minha raiva estava grande ainda, por detrás da viseira negra do capacete sabia que meus olhos esverdeados oscilavam para um azul cintilante; Porque eu tinha que ser diferente? Meu maior prazer era minha maior maldição! 
 
          Depois de horas rodando de uma estrada para outra, levantando a poeira nas estradas de chão batido, ultrapassando caminhões nas de asfalto, andava em círculo nada padronizado envolta da cidade onde eu vivo; Depois de quase um tanque de combustível parei em um antigo posto de gasolina. Quantas horas passaram? Quantos quilômetros? Única coisa que eu realmente sei é que minha raiva estava adormecida; Pude respirar aliviada quando tirei o capacete – Hann! Suas visitas estão cada vez mais freqüentes! – foi o que eu escutei do frentista, um homem de meia idade, alegre e pai de família! Acabara de se tornar avô de um belo rapaz, se orgulhava tanto que na semana me fez olhar todas as 58 fotos que tinha no celular além de escutar cada detalhe que o homem podia se lembrar sobre o recém nascido. 
 
          - Adoro dirigir ao ar livre... Sinto-me livre desta forma!  - Lembro do primeiro dia que você parou aqui perdida, pequena! Demorei dois meses para te rever... Agora não leva mais de duas semanas! Seu escape está se tornando quase que um vicio! 
 
          Tenho que admitir, ultimamente tenho perdido o controle com tanta facilidade, tenho que dar um jeito nesta minha falta de controle, vou acabar machucando pessoas queridas.. Aled e Throst! Mas como? Nenhum lobisomem, alpha ou ancião sabe dizer o que é isto e quem sabe não quer tocar no assunto, como se eu fosse uma espécie de monstro – Rs Enche o tanque! Vou pagar lá dentro! – Disse descendo da moto e deixando-a aos cuidados do frentista, lá dentro encontrei Jeniffer, a caixa do local; Comprei uma garrafa de água com gás e paguei a gasolina para poder voltar para casa.
 
          Mal sai da conveniência e vi a lataria branca toda suja, teria que perder outra adorável tarde limpando e polindo meu tesouro; Senti o cheiro de sangue passar perto de mim, vinha de uma caminhonete Hilux preta: Caçadores!Uma moça tão adorável como você dirigindo uma maquina tão potente? O mundo gira mesmo – Disse o caçador, arrancando nada mais nada menos que um sorriso forçado meu; Desdes os tempo antigos, minha raça era marcada não só pela grande rivalidade com os vampiros, mas também por mortes horríveis por caçadores, Entre os caçadores comuns para os de lobisomens existia uma linha frágil, só deus sabe quantas vezes eles podiam jurar estar loucos quando viram um homem sair andando como um lobo. 
 
          - Hannah! Está pronta para outra volta! – Gritou o frentista me atirando as chaves presas a uma corrente de ferro – O que seria de mim sem vocês para me salvar! – Minha voz era de brincadeira, logo o dia daria lugar a noite, esta era a minha deixa, voltar e encarar aqueles dois velhos ranzinzas e poder cair na cama, meu corpo começava a dar sinais de cansaço. 
 

          Ao ligar a moto, pude viajar novamente, aquela sensação me fazia tão bem que poderia andar de moto, pelo resto da vida.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Ter 5 Jan 2016 - 10:09

Vários pontos dos nossos corpos se encontravam em brasa e não previ o que aconteceria. 
Me lembro de balbuciar " - Deixa isso comigo "  e no instante seguinte prendi seu corpo com ainda mais força contra a parede a fim de evitar que Sophia tivesse meios de fugir, segurei firme em seus punhos e minha sede cuidou do resto. 

Busquei sua jugular com a ansiedade de um recém-nascido e com a aderência de um anelídeo finalmente me rendi a minha natureza. A pulsação de sua veia me fez encontrar o ponto certo com extrema facilidade e eu já salivava antes mesmo de perfurar a carne em busca do meu prêmio. 

Naquele momento não havia nobreza, apenas o desejo. Desejo manifesto igual ao de um casal enamorado que ficara distanciado por meses a fio. A bomba em meu peito se acelerava ainda mais e eu temia por isso uma vez que não era minha intenção ceifa-la ou deixa-la próxima da inanição. Quando a primeira gota foi sorvida meus olhos se fecharam com força e quando eu tornei a abri-los sabia que estavam da cor do mais puro carmesim.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Ter 5 Jan 2016 - 20:36

No calor do momento e por ser segura de mais de quem era a caça, deixei-me levar... Dando liberdade de mais para o homem, meu corpo pulsava em desejo do dele; Senti um abuso de força da parte dele, nada que me machucasse, até porque não sou uma humana! Suas mãos deslizando pelos meus braços e me prendendo totalmente na parede, senti seu punho se fechar nos meus pulsos, o suficiente para que uma força comum tivesse dificuldade para se livrar.
 
Senti sua barba arranhar minha pele até meu pescoço, aquilo estava tomando proporções estranhamente conhecidas por mim – Jos... – Foi o que eu consegui sussurrar, antes de sentir uma mordida, aquilo não eram caninos humanos; Arquejei gemendo de dor e um tanto de prazer, mordi os lábios para não chamar a atenção da movimentada boate a poucos metros de nos. Josh era... Josh é um vampiro!
 
No momento que senti o primeiro sugar do sangue, um ato totalmente prazeroso para mim se transformou em um pequeno momento de pânico! Estava confusa e surpresa, cerrava os punhos ao sentir a ferocidade em que ele queria se satisfazer do meu sangue; Mas eu era sua semelhante, ele nunca mataria sua fome comigo!
 
Meus olhos cintilava escarlate, buscava ar para me controlar e tomar as rédeas novamente;



 
Aquela noite fatídica, onde dois amantes se encontravam; Dois tolos que não se identificaram! Dois jovens que acabaram por quebrar um tabu vampirico; Muitas lendas a redor destes serem místicos e sedutores, mas poucas a cerca do real propósito do sangue que os conecta.
 
A cada sugar, Joshua o herdeiro do império dos Ford’s podia ver um passado estranho; Uma família com rostos borrados, um amor ardente de um homem de olhos escarlates. O pânico e finalmente sentir o poder fluir pelo corpo; De fato algo que ele conhecia muito bem, mas aquele corpo não era dele. Pode sentir o gosto da primeira vitima pela segunda vez naquela não vida; Um belo lenhador, olhos castanhos atraídos pela beleza da pele alva e sedosa.
 
Mais que apenas quatro anos, ele viu o mundo mudando, evoluindo, milhares de olhos perdendo o brilho enquanto sentia o corpo se fortalecer. Homens que se transformavam em lobos, olhos azuis e dourados, sedentos por ceifar a quem olhavam, sentiu o medo percorrer seu corpo e a satisfação, poder quando aquelas bestas estavam mortas atiradas aos seus pés. O que seria aquilo? Aquele par de olhos escarlates giravam em sua volta, milhares e milhares de vezes, o nome Leonard pulsava em sua cabeça, algo que não poderia esquecer tão cedo, um poder para alem do que ele conhecia ou almejava. Tantos anos passados em questão de segundos; Finalmente notava que se encontrava na mesa do restaurante do Hotel, olhando para dois olhos azulados, os traços... Era ele. E a sensação de poder que absorvia da amante era extasiante!
 
Até ser jogado novamente em sua pequena e fraca realidade.




 
Sentia minhas forças serem drenadas, tive que morder o lábio a ponto de cortá-lo para tomar consciência que deveria me mexer; Usando a força bruta para sobrepor a de Joshua, agora entendia o porque não sentir a presença dele; Eu era mais forte! E ele estava se apossando da minha força!
 
Como uma onda de raiva, girei os pulsos a fim de soltar as mãos, facilmente o fiz e o agarrei pela garganta arrancando de seu deleite; Senti o pescoço rasgar com as presas que ele não desejava soltar, minha blusa e jaqueta estavam lavadas de sangue, meu sangue! Meus olhos brilhavam tão forte que mal consegui segurar o urro de raiva que dei quando olhei para meu rival.
 

- Como ousa me morder? Que morrer o pivete?! – Minha voz estava desconfigurada, meu olhar cintilava, mais raivoso que nunca, minhas presas mostram que eu não estava brincando e meu peito galopava com a onda de adrenalina que meu corpo recebia, minhas garras apenas machucavam a pele alva do pescoço do rival, podia muito bem estraçalhar seu pescoço e esperar que ele se recuperasse para descontar minha raiva; Mas por outro lado a culpa também era minha.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Ter 5 Jan 2016 - 21:45

No início da não vida por muitas vezes eu me sentia como um garoto em meio suas primeiras aventuras sexuais, roçando em garotas mais experientes mas obviamente sem ninguém por perto para guia-lo. Eu tinha dúvidas, remorso e por mais de uma vez vomitei muito sangue que havia ingerido. Fosse por um injustificável peso na consciência, por ter bebido mais do que meu corpo parecia precisar ou não discernir os sinais de que a vítima era imprópria para consumo. 

E nem mesmo nas minhas piores noites eu havia sentido ... pânico. 
Uma coisa é você ter medo e insegurança de algo e outra completamente diferente é estar no paraíso e ir direto para o inferno sem escalas. 

Num momento eu esquecia a minha condição, me sentia um mero espectador e parecia assistir a um filme ou sonhar algo bastante agradável. Sei que meu êxtase era tal que nem mesmo tive como controlar uma potente ereção. No outro saí do estado de graça para o gelo cortante que era aquela visão. 

Helena era quem incendiaria minha Tróia, e eu ?  
Nem mesmo se fosse Achiles seria capaz de dete-la. 

Sophia exibia aqueles traços monstruosos que em nada combinavam com sua feição de menina. Eu estava tão alucinado que no início nem sabia aquelas visões eram dela e apenas perto do fim, quando ela me removeu de seu pescoço com uma força que eu jamais poderia prever, notei que ela era a dona daquelas memórias e eu apenas um tolo invasor. 

Eu me sentia mais forte, poderoso e quase invencível mas minha mente era refém de sua imagem e o urro dela ecoou me deixando imóvel e com a mandíbula trêmula. Eu sentia seu sangue poderoso secando sobre minha pele e nem ao menos conseguia sussurrar um pedido de desculpas. 

Como eu podia ter sido tão imbecil não tinha meios de descobrir. Eu havia conhecido poucos vampiros e nem mesmo aqueles que tinham os melhores trejeitos e aparência haviam me confundido, eu era um bom observador. Aquela era a prova cabal do que Speranza repetidamente falava até a minha exaustão: 

"O bom vampiro não deve ser reconhecido nem por seus iguais" 

Boa ? Sophia era de longe a melhor uma vez que se camuflara tão bem a ponto de me fazer cometer uma afronta daquela. E a cada compressão extra que ela fazia em torno do meu pescoço ficava impossivel parabeniza-la por isso. 

Speranza me relatara disputas sangrentas entre iguais e que terminavam com corações, vísceras e cabeças arrancadas. O pior de tudo é que o sabor dela, de seu sangue, me desvanecia. Eu estava num estado calamitoso e ainda desejar o ponto de seu pescoço que havia sido meu pequeno éden. 

- ... - nada consegui dizer e agora era ela quem me suspendia evitando que eu pudesse compor qualquer palavra, pior ainda uma frase. Instintivamente levei minhas mãos até seus antebraços oferecendo a mais vergonhosa resistência ao passo que minhas papilas gustativas faziam uma verdadeira orgia com seu sangue antigo e saboroso. 

Ao menos me sentia um sommelier provando do mais raro vinho enquanto ela decidia o que faria a seguir. 

Nada do qual me orgulhe, mas a lógica e fúria dela estavam contra mim. Ainda que meu cérebro enebriado tentasse pensar em algo todo o resto parecia congelado: era por ter apresentado iniciativa que eu me encontrava naquela situação. Eu a havia atacado! 

Sophia despertou-me terror e prazer como há muito tempo eu não sentia, e isso nada tinha a ver com a noite em que Speranza me transformou.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Ter 5 Jan 2016 - 22:16

Me sentia roubada, invadida em minhas lembranças; A angustia se misturavam com a raiva, o cheiro do meu sangue secando na pele já curada do pescoço me fazia tremer de tanto ódio! Eu apertava minhas garras na garganta dele com força, estava tão próxima de estraçalhar sua garganta quando finalmente o larguei, com um empurrão para derrubá-lo.
 
Ele não pronunciava uma única palavra, eu estava cega de ódio e ele congelado por pavor, seus olhos evidenciavam seu sentimento; Um ladrão, um invasor... Nem mesmo Leonard tivera tamanha audácia em sugar meu sangue, como ele...?
 
Como faziam os piores torturadores do século passado; Ele precisava recuperar a consciência para assim sofrer sua pena; Matar? torturá-lo o suficiente para implorar que eu desse um fim aquela miserável vida que ele levava? Mil torturas me passavam pela cabeça; Como pude ser tão tola?
 

- Como pode? – Não cometeria o mesmo erro duas vezes, meus olhos não desgrudavam da face do vil traidor, minha face voltava ao normal como uma gentil garota de 20 anos deveria ser; Mas meus olhos rubros refletiam a maior raiva que Joshua poderia ter visto em toda sua pequena e inútil vida – Conheço suas conquistas... Agora te dou dois minutos para me convencer a não te matar da pior forma que você possa imaginar, varias e varias vezes... Até você desejar ser um débil humano para não se curar... – Eu arranhava a parede atrás de mim na ânsia de tentar me manter no controle dos meus instintos.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Ter 5 Jan 2016 - 22:46

Senti que a pluma então era eu, quando fui atirado ao solo como se fosse uma boneca de pano. Eu não havia passado por muitas experiências de quase morte e na mais incrível delas eu havia conseguido realizar a última volta no circuito de Indianápolis com o melhor tempo e perfeição. Mesmo próximo da linha de chegada um dos demais competidores simulou uma perda de controle e atirou seu carro contra o meu uma vez que só um milagre me tiraria a vitória. 

A sensação foi idêntica, e não equivalente, ao meu pânico por cruzar a linha de chegada capotando, cuspindo sangue por conta de um pulmão perfurado e apenas escapei da morte aquele dia por quê estava acelerando e não houve colisão contra os demais carros que tinham o mesmo objetivo. 

Amigos próximos mandaram uma coroa de flores para meu quarto no hospital e ela exibia em letras dourado depressivas "Nóis capota mai num breca" (tradução livre). 

Sophia Hills. 
O nome que eu havia captado sem o menor interesse durante aquela captura de suas lembranças.
Sophia Hills. 
Orgulhosa, segura e muito mais poderosa do que eu podia prever. 
Sophia Hills.
Ela só me dava uma chance. 

Tomado pelo último resquício de coragem forcei minhas palmas no chão e levantei com alguma facilidade. Não me preocupei em ajeitar minhas vestes e nem busquei por testemunhas daquela discussão. Se tivesse alguém assistindo de camarote certamente teria uma história e tanto para contar se conseguisse escapar dali com a memória. 

- Eu não preciso de dois minutos - meu tom era rouco e um pouco afetado, meu queixo pendia no peito e eu a olhava ainda sentindo minhas presas raspando meus lábios superiores - Não a identifiquei e cometi o erro, mas não a tratei como uma mundana qualquer que nada mais seria do que uma bolsa de sangue com pernas, se assim fosse eu teria lhe atacado tão logo ficamos sozinhos - avancei dois passos em sua direção, meus ouvidos captando o som dela como se fosse necessário e estivesse afiando as unhas para me fatiar - Não acredite no que eu digo... - meu ombro exposto ainda continuava visível e eu me adiantei outro passo inclinando meu pescoço para o lado - Confira por si mesma... 

Era minha única chance. Um discurso vazio ou uma tentativa de luta e fuga desvairadas estavam fora  de questão, afinal, eu havia visto partes do seu passado e ela não caminhava sobre a Terra há menos do que centenas de anos. Se eu tinha conseguido ler seu sangue ela facilmente faria o mesmo com o meu.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Ter 5 Jan 2016 - 23:34

Tinha que admitir, ele ainda tinha coragem... Quer dizer, visto que a única chance que ele tinha era ser corajoso; Mas bem que preferia que ele tentasse fugir, brincar de gato e rato seria deveras mais divertido e cruel.
 
 Ao passar dos minutos começava a me acalmar, ele tinha alguns argumentos bom, mas de fato me comparar com uma bolsa de sangue ambulante não foi o melhor deles; Ele vinha com uma historia de eu conferir o que ele dizia; Via seu ombro que a pouco mais de alguns minutos eu me deliciava em caricias e beijos; Não sei se eu sentia mais raiva dele ou de mim ao me recordar.
 
- O que você acabou de fazer, se chega aos ouvidos dos nossos criadores ou até mesmo um original pode vir a ser nossa sentença de morte... De ambos... – Dizia em um tom frio, fitando sua jugular; No fim eu desejava morder e sentir a mesma sensação que ele sentiu – Alem disto  tem o fato de você não conseguir me controlar, como ira me parar? Sendo que duvido que tu tenhas passado dos 100 anos como vampiro...  Como pretende parar alguém com a minha idade? – Ele viu minhas memórias,  como me propunha aquilo? Era absurdo – Sem contar que ainda dizem que assim que experimentamos o sangue de um vampiro, isto vira como um vicio para nós, querendo sentir o gosto dele cada vez mais e mais... Não pretendo depender de alguém como você! – Minhas palavras podiam ser cruéis e ainda contraria ao que eu realmente queria me sentia inquieta e tentada.
 

- O tempo está passando... Pretende me convencer como, Senhor Joshua? 

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Qua 6 Jan 2016 - 0:00

- Poucas vezes eu matei alguém e não seria você, que tinha minha real simpatia, a quem eu arrebentaria por completo ainda que fosse mortal. De tudo que você me diz eu só consigo entender "Você deveria estar morto". 

Eu fui um tolo mas depois de me sentir um perfeito rei, me fartando daquela a minha frente, sentia um vazio, o contrário da euforia, o sentimento pós coito de quem não tinha mais o que cumprir. 

- Você não é do tipo que se convence e já ouviu mentiras demais para não reconhecer a verdade. Não pense que estou aqui fingindo uma falsa coragem, mesmo que eu quisesse fugir eu não o faria - falei puxando minha camisa de volta para a posição correta e começando a fechar os botoões - Vi suas roupas da época dos Descobrimentos e Grandes Navegações, o jeito lindo como usava esse cabelo, sua pele rosada que me enlouqueceu  e atrai. Percebo que devia ter desconfiado do seu modo de falar tão ... característico ... e antiquado quando ainda não está a vontade mas também vi um sem número de pessoas indefesas sucumbindo aos seus caprichos.. Então faça o que tem que fazer Sophia. Eu não vou implorar por misericórdia... ainda mais se isso for a última coisa que eu tiver pra fazer nessa merda de vida. 

Finalmente voltei a encara-la antes de encerrar meu discurso miserável: 

- Ao menos não terá que sair as escondidas do meu quarto pela manhã...  - e dito isso sorri para a Morte ciente de que ela me executaria no momento seguinte. Fantasma teria uma resposta mais cedo do que esperava.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Qua 6 Jan 2016 - 0:45

Estava ficando louca, porque de uma hora para outra todos resolveram rir na cara da morte, não bastasse Ethan e Josh pareciam ter se combinado de fazer isso; Eu revirava os olhos só de me lembrar às ameaças do humano.
 
Josh estava perdendo a paciência, arrancando coragem sabe-se lá da onde! Desatando a falar, arrumando-o tentando voltar a ser aquele homem de classe que eu encontrei no restaurante, como poderia saber que aquele convite inocente tomaria este rumo? Sua fala de não matar quase ninguém, de fato era nobre... Mas ele sabia que mais da metade dos que eu matei foi para limpar este mundo? Assassinos, estripadores, ladrões, pessoas que vendiam a própria família para sustentar um vicio banal? Ele não teve tempo de ir tão afundo.
 
Já estava mais calma, observando como ele me descrevia como deveria ter percebido os sinais; Eu estiquei o braço puxando o vampiro pelas vestimentas; Invertendo as posições, firmando-o contra a parede e deslizando a mão para reabrir o colarinho e deixar livre seu pescoço, subi o rosto como uma caricia até parar em seu pescoço. Firmei com o braço contrario o pescoço dele, para ele não conseguir me arrancar como eu o fiz.
 

Porque eu fazia isto? Talvez por estar tanto tempo só que aqueles momentos de prazer me davam a vaga esperança que poderia dar um fim a tudo isto? Separando os lábios, como o toque de um beijo seguido de uma mordida dita fatal; Descobriria a fundo quem era ele e o que sentia de verdade.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Qua 6 Jan 2016 - 13:20

Cada palavra minha causava um efeito em Sophia. Revirando os olhos, estreitando-os, esticando a postura sem ao menos perceber tamanha indignação. Era um péssimo sinal  e quando ela me atirou contra a parede nada mais me importava. Podia ter uma multidão ao nosso redor, uma matilha inteira de lobisomens ao longe ou o próprio Caim nos vigiando não faria grande diferença. Por um momento me enganou parecendo agir como quem buscaria minha boca para um beijo e por fim o ataque. 

Fiquei estático, minhas mãos se abriram como se eu estivesse sendo eletrocutado e os dedos se esticaram, os joelhos vacilaram e eu desci um pouco mais em altura. O choque era tal que minha boca ficou entreaberta e meus olhos fixos num ponto invisível no horizonte escuro. A última coisa que eu vi foram pequenos fios escuros do cabelo dela dançando ao sabor do vento enquanto eu não conseguia me decidir se o que sentia era dor ... ou o mais latente prazer. 

...

Spoiler:

(Para maior imersão ouça - Radiohead: Everything In Its Right Place)
https://open.spotify.com/track/31DVVa40JpTudyGDNC1ROW


As imagens eram claras e bem definidas, o que detonava que ele tinha vívidas lembranças da maioria das memórias que a vampira acessava. As primeiras mostravam mãos pequeninas e rosadas alisando uma carreta de madeira que transportava cavalos e vacas de plástico em volta de uma grandiosa e bem enfeitada árvore de natal. 



Ela sentia o cheiro de maçã e canela e logo um prato com coockies era colocado ao lado da carreta. Notava-se um balançar de cabelos acima do topo da cabeça e ao olhar para cima ela via uma mulher loura com um pullover nas cores natalinas. Ela usava brincos de rena e no pescoço um cordão com um pingente de ouro no formato de um menino e seus carrinhos. 


A visão turvava e na sequência as mesmas mãos, agora maiores, percorriam a lataria de um carro numa aparente linha de montagem. O brilho da lataria era pouco mais forte do que o das unhas roídas e aparecia mais do que pequenos ralados nas costas das mãos. O sorriso de uma criança aparecia no espelho retrovisor sendo içada para o colo de um homem de cabelos castanhos escuros e olhar afetuoso. 


Sangue. 
Poderia estar confundindo as coisas, Sophia pensaria num primeiro momento, até que se sentia cuspindo sangue no piso de linóleo num ambiente cheio de adolescentes com uniformes escolares. Se via avançando num grandalhão que a intimava e parecia ter sido o responsável pelo ferimento em seus lábios. 


Nova vertigem e pela primeira vez tudo parecia bem escuro. 
Seu corpo pulsava ao ritmo de soluções frenéticos e alguém batia a porta. Se recusava a abrir e piscava forte os olhos, comprimindo-os com força e apertando os ouvidos com as mãos. 


Quando voltava a abri-los chovia, o barulho das gotas caindo num guarda-chuva mantido por um desconhecido de terno preto. Todos usavam preto ou cores próximas dela. A frente um caixão branco do qual se aproximava e nele a mulher loura dormia extremamente magra e com olhos encovados. Na sua mão esquerda um terço e no pescoço a corrente com pingente. O caixão finalmente era fechado e descia rumo ao túmulo que se tornava um buraco imenso capaz de engolir todos ali presentes. 


Dele saia meia dúzia de garotas, todas com o pescoço sangrando e palidez absurda, apontavam dedos e faziam caretas, se insinuavam e o perseguiam enquanto ouvia uma boca que não era a sua, dizendo palavras na voz de Josh, pedindo perdão e explicando que não havia sido sua intenção. Outras garotas apareciam e se entrepunham entre as pálidas e apaixonadas perguntavam por quê ele havia partido, o que haviam feito de errado e qual era o problema. Tendo ferido mortalmente ou apenas se servido de seus corpos estava claro que sua consciência ainda lhe perseguia.  


De repente o vazio. Escuro, úmido, frio e solitário. 


Então um ponto de luz surgia num bar e Sophia realmente se via e parecia ser capaz de ler os pensamentos dele. 
Ele a desejava, a queria levar para jantar, depois a aninhar junto a si, para poder se soltar sobre seu corpo totalmente despido, abraça-la e não solta-la antes do êxtase final, em nenhum momento a atacava e com ela sobre seu peito adormeciam até que o despertador marcasse quatro da manhã. Ele se vestia, afagava-lhe o rosto e só então os olhos cintilavam vermelhos. Josh os apertava, mordia a própria mão que começava a pingar e como se despertando de um transe saia pela porta do quarto de hotel que ambos ocupavam. 

... 

- Aqueles dois estão animados... - Josh ouvia algum transeunte dizer num tom muito distante, fruto de seu encantamento derivado da mordida de Sophia, mas captando fracamente o ambiente externo - Será que tem ecstasy por aqui ?

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Re: Amsterdã

Mensagem por Sophia Hills em Qua 6 Jan 2016 - 17:30

Esperava mais que simplesmente ver um filme ou aproveitar sensações que não me pertenciam; Sentia com exatidão a hora que a carne foi perfurada e a primeira gota de sangue deslizou para meus lábios e acariciou minha língua, nem mesmo o sangue da criatura mais pura que eu já possui chegava perto aquela sensação, aquele prazer era inebriante, uma sensação sem igual que nem as mais pesadas drogas já criadas pelo homem poderia sequer chegar perto.
 
Vi lembranças que para minha existência eram mais que recentes sensações que jamais esperava sentir... Um animado natal quando bebê, o afago delicioso de um abraço materno, uma surra de um colegial, o orgulho de um pai, o sentimento de perda, o desespero da transformação... Aquilo eram sensações humanas, coisas que nem eu mesmo me lembrava... Qual era o nome dela? Forcei a mente para tentar lembrar o rosto da mulher que me trouxera ao mundo, mas depois de tantos anos... Só me lembrava do cheiro do fogão a lenha e a sensação dos braços dela me aninhando enquanto eu chorava quando criança por um pesadelo;
 
Não eram apenas as lembranças, mas sentia sugar algo mais forte, o poder que ele havia me roubado agora retornava para mim, era como uma brisa de verão que refrescava e aliviada o calor com aquele cheiro de maresia; Ele tentava não matar ninguém, só matava sua sede então era por isso que não sentia tanto poder... Ele não se alimentava da essência apenas sanava sua fome momentânea.
 
Por instinto ou por falta de lembranças, foi puxada para o presente momento! Por sorte, se continuasse naquele ritmo acabaria por sugar toda a existência de Joshua, matando-o sem nem notar; Estava tonta, respirando em arfadas com uma sede descomunal – Isso não me alimenta... - Sussurrei baixinho falando comigo mesmo, alguns humanos se aproximavam para perguntar algo ou simplesmente nos assaltar, não gostava de agir por puro instinto, mas naquele momento ainda sentia a ansiedade de um recém criado, meu alto controle estava abalado e meus instintos se misturavam por tantas vezes que não sabia se era as lembranças de Josh ou era meu corpo me pregando uma peça.
 
O estalar do sapato no chão de pedra, se aproximando faziam meus olhos vibrarem com o ritmo que o coração dos jovens batia. Por um momento pensei que se soltasse Joshua ele iria desabar, afastei-me apenas um pouco olhando nos olhos do homem que eu usurpara das memórias mais preciosas – Você precisa se alimentar – Minha voz era tão baixa que por vezes duvidei que ele escutasse, seu rosto tão próximo a mim, a sensação de conhecê-lo a vida inteira.
 
Agora entendia porque era um Tabu, no ritual de transformação que criava laços quase inquebráveis, aquele se assimilava... Agora mais que nunca eu estava impossibilitada de matá-lo; Cometi o pior os erros... O pior dos pecados! Era diferente da ligação com uma cria, eu não tinha poder sobre ele! Queria ligar para Leonard e indagá-lo sobre aquele ritual, mas se eu fizer será o mesmo que assinar meu atestado de óbito!
 

Tomei um grande susto ao notar os humanos ao nosso lado, perguntando algo sobre drogas ilícitas – M-meu deus! Você está bem? – Escutei um quase gritar apontando para mim; Minha blusa estava mesmo banhada a sangue seco – Shhh... – Sussurrei olhando para os três garotos, não deviam ter mais que vinte e cinco anos, com mentes afetadas por drogas entraram em transe no mesmo momento que eu encostei a cabeça no peito de Josh, tentando buscar alguma explicação para a bagunça que virou aquela noite.

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Re: Amsterdã

Mensagem por Joshua Ford em Qua 6 Jan 2016 - 22:19

Senti Sophia drenando meu sangue pelo que pareceu ser uma fenda na eternidade. Primeiro as presas afastaram porções da minha carne e depois eu sentia o local queimando levemente. Nada daquilo se assemelhava de fato a mordida da minha transformação. Ela continuava drenando e eu não conseguia ver seu rosto embora detectasse sua presença. Tudo assumiu um tom vertiginoso e escuro até que grande sonolência me invadia. Sentia minhas pálpebras colando quando ouvi vozes. 

- Um deles... traga... pra... m...mim... -  eu nem ao menos reconhecia minha voz, era como se uma febre sem precedentes me incendiasse e no segundo seguinte estivesse nu sobre um bloco de gelo no Alasca. Senti ondas de tremores que não controlaria por muito tempo antes de ir a nocaute. 

Esperei que ela desse uma gargalhada diante do meu pedido. 

Era possível compreender, mesmo naquele estado debilitante, a fúria de Sophia. Se eu que estava aguardando me senti daquele modo para ela ter sido pega de surpresa devia ter sido incalculavelmente pior. Meus sentidos estavam embotados e era como se a qualquer momento eu fosse ter uma experiência extra corpórea, quase conseguia nos ver ali naquele canto escuro vitimados por nossas habilidades. 

Pensava no que viria a seguir. Temi que um banho de sangue revelasse a existência de algo inumano rondando aquele lugar e quase torci para que os rapazes fossem embora. Quase. 

Ela me ajudaria ? Ou me deixaria deslizar pela parede para assistir o massacre e depois de refeita lavaria sua honra com meu sangue ? Um sangue que segundo ela era ralo e não a sustentava. Talvez fosse essa minha sorte ? Se eu fosse alguém mais antigo ela se fartaria como num banquete ? 

Não há dignidade em negar o óbvio e a verdade é que eu me senti o último dos seres, como vira uma vez num filme, algo na escala entre uma barata e a espuma que fica seca no canto da boca. Eu estava alquebrado, indefeso e dependia da boa vontade de quem especialmente naquele momento podia me partir como uma taça do mais fino cristal.

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